Crise no Luxo?!?

Greg Furman é o fundador da Luxury Marketing Council, uma organização internacional que reúne mais de 600 empresas associadas, representadas por presidentes e altos executivos de marcas líderes do mercado de luxo em todo o mundo. Desde sua criação em 1994, o LMC já estabeleceu capítulos em Nova York, Atlanta, Boston, Dallas, São Francisco, Londres, Paris, Hong Kong e Dubai. Em uma época de crise, em que a ostentação está em baixa, Furman prega que a única solução para as grifes é serem socialmente responsáveis. 

A revista Dinheiro fez uma reportagem com Furman sbre o comportamento do mercado de luxo na crise, segue um compacto com as melhores perguntas/respostas:

DINHEIRO – Com a crise financeira, o que muda no mercado de luxo? 
GREG FURMAN – Em uma economia recessiva, em que as pessoas estão começando a usar o termo luxury shame (termo em inglês que se refere ao constrangimento pela ostentação), é importante que as marcas se tornem socialmente responsáveis. Muitas delas já fazem isso, mas elas devem divulgar.

DINHEIRO – O que as marcas devem fazer? 
FURMAN – Devem assumir suas responsabilidades nos âmbitos social, econômico e político. Ninguém quer que vestidos de alta-costura sejam produzidos por crianças em um porão qualquer.

DINHEIRO – O que acontecerá com as marcas que não ficarem mais conscientes? 
FURMAN
 – As grifes que não se adequarem terão dificuldades.

DINHEIRO – O sr. acredita que os clientes não se importarão em pagar mais por um produto só porque ele é social e ecologicamente correto? 
FURMAN – Acredito, as pessoas pagam. Pesquisadores do Harvard Club iniciaram um estudo com carvão. Eles puseram dois tipos à venda, um com selo ecológico e outro sem, pelo mesmo preço. O que tinha o selo vendeu 15% a mais. Em um segundo momento, o preço do carvão certificado subiu e as vendas foram 37% maiores do que o carvão comum. Essa tendência veio para ficar.

DINHEIRO – As corporações estão dispostas a mobilizar recursos para adaptar seus produtos? 
FURMAN
 – A mudança custa caro, mas no longo prazo será melhor para os negócios, para os consumidores e para o mundo. A Montblanc, por exemplo, é uma das empresas que têm uma das culturas corporativas mais sensíveis a essa questão.

DINHEIRO – Como será o luxo daqui para a frente? 
FURMAN – Sempre haverá pessoas dispostas a pagar pelo melhor do melhor. Isso não vai mudar. Em alguns mercados emergentes ainda é importante o tamanho da marca. Já nos Estados Unidos, Europa e Japão, o futuro aponta para produtos e serviços que proporcionem bem-estar. Por isso alguns hotéis design estão parecidos com monastérios.

DINHEIRO – Uma grife de luxo deve se mostrar sempre presente na mídia ou ser mais discreta? 
FURMAN
 – As marcas mais eficientes entram com uma estratégia diferente conforme o mercado. Nos Estados Unidos o marketing de grifes de luxo está saindo dos veículos de massa e caminhando para os nichos, como meios de comunicação especializados.

DINHEIRO – Uma produção em massa combina com uma grife de alto padrão? 
FURMAN – Não combina. A definição de Stanley Marcus (herdeiro da rede de lojas de departamento de luxo Neiman Marcus) é a que se encaixa melhor para essa questão. Ele sempre defendeu que luxo é o que a mente dos homens pode imaginar e a mão do homem pode fazer. Ou seja, é um trabalho manual, isso é a essência do luxo.

“Ninguém quer que vestidos de alta-costura sejam produzidos por crianças em um porão”.

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