Jantando com o Empreendedor.

Eu conheci o Alexandre Viveiros quando vim pra São Paulo, trabalhar no projeto da ArmRebel. Uma pessoa totalmente calma e centrada, Viveiros já carregava com ele a inquietude do comportamento empreendedor. Sempre participando ativamente do mundo dos negócios com seus empreendimentos, Alexandre é um cara que, mesmo novo já tem algumas histórias pra contar. Afinal, eu acredito que é muito mais fácil aprender com os pequenos, que traçam a batalha do dia-a-dia para nadar entre os tubarões em um oceano azul, do que aprender com histórias fantasiosas atribuidas à sorte por grandes empresários brasileiros, que nem mais se lembram como chegaram aonde estão.

A idéia de entrevistar pessoas que são normais (pelo menos aparentemente), se deu quando eu vi que é possível aprender com qualquer pessoa. Ou seja, qualquer empreendedor tem uma história pra contar. Eu entrevistei o Alexandre em uma véspera de feriado, onde ficamos conversando várias horas sobre as perguntas que não querem calar, aspirando novos negócios e, varamos a madrugada falando sobre empreendedorismo, marketing, inovação e falta de planejamento. O papo foi super produtivo e, inaugura uma série de entrevistas que, talvez mensalmente eu comece a publicar por aqui.

Pra quem não conhece o Alexandre Viveiros, aqui vai uma pequena apresentação. Alexandre Viveiros, 27 anos, Gerente de Projetos de Desenvolvimento de Software, Vendedor por natureza e Empresário Digital. Viveiros atua no setor de Tecnologia há quase 10 anos, desenvolvendo sistemas corporativos para grandes empresas do setor de Utilities. Estuda Marketing e Vendas por conta própria e é fundador do MIBU, portal de conteúdo de 20 cidades da Região Bragantina. Apaixonado por Tecnologia, Marketing e Negócios, costuma compartilhar suas experiências práticas nestas áreas por meio de seus artigos no Blog do MIBU. Sua filosofia é: Fale menos, faça mais, seja simples e focado.

1. Eu acredito que empreendedorismo é um misto de ter idéias e executá-las, colocá-las em prática, afinal, boas idéias não sobrevivem no tempo sem ação. Qual dessas fases você acredita que seja a mais decisiva para o sucesso de uma empresa?

Tudo que você faz todos os dias é importante para o sucesso de uma empresa, principalmente quando falamos de pequenas empresas. Na minha opinião, para ser empreendedor a pessoa tem que ter o perfil de um “coringa”, tem que jogar em todas as posições. Isso não quer dizer que tem que ser assim o tempo todo, mas que se preciso for, ele estará lá para executar! Ter ideias é legal, mas é a sua execução e medição que contribui para o amadurecimento do negócio como um todo. A execução pra mim hoje é a fase mais importante.

2. As micro e pequenas empresas vivem sempre na necessidade de um controle muito grande do caixa. Afinal, qualquer pequeno deslize trás grandes consequências. A dependência excessiva do corte de custos prejudica em que grau a geração de inovações?

As grandes inovações surgem do caos, da falta de grana, da falta de prazo, da falta de tudo. Penso que o corte de custos mais contribui do que atrapalha a inovação! Sei que isso gera polêmica, mas quando você tem um time realmente comprometido, a inovação com baixo custo é uma constante.

3. Há quem diga que uma pessoa precisa se dedicar de cabeça a uma idéia, um empreendimento, um projeto, tendo que abrir mão de tudo que está ao redor para investiro seu dinheiro e o seu tempo. Porém, pesquisas e estudos já demonstraram que é sim possível conciliar a vida de patrão com a de empregado. Quais são os maiores desafios e as maiores barreiras para quem precisa conciliar a carreira de empresário e funcionário ao mesmo tempo?

Conciliar a vida de patrão e empregado ao mesmo tempo é fácil, difícil é conciliar a vida pessoal com tudo isso. Brincadeiras a parte, muitas revistas falam que é possível, que dá pra fazer, mas na prática a coisa é um pouco mais complexa. Se a pessoa não tiver apoio da família por exemplo, esquece! não vai dar certo por muito tempo. Em algum momento alguém ou alguma coisa terá que ser sacrificada, não encarar isso de frente é pura ingenuidade na minha opinião. O mais importante nesta situação é deixar claro a todos os envolvidos sobre a situação, pedir sua compreensão e trabalhar muito para aposentar o “lado funcionário” o mais rápido possível.

4. Em Setebro de 2008 tivemos o estopim da crise mundial. Uma crise inicialmente provocada pela crise de crédito americana, em pouquíssimo tempo atingiu todo mundo. No Brasil, onde os políticos – que não conseguem acertar um – disseram que ela seria uma “marolinha”, ela veio mais fraca, mas não impediu que sentíssemos o impacto da recessão na economia. Estamos há um mês de completarmos um ano do anúncio da crise e a economia da sinais de vida. Muitos especialistas acreditam que o mundo não será o mesmo depois dessa crise e que ela será um divisor de águas na economia. Outros já estão empolgados com o prenuncio da melhora e já sonham com o aumento das vendas, acreditando que o mercado voltará a ser como era antes. Na sua opinião, voltaremos a viver no país das maravilhas, ou as perdas dessa crise nunca serão recuperadas?

Nós algum dia vivemos realmente no país das maravilhas? Bom, quanto as perdas penso que elas foram necessárias para aprendermos a desconfiar de dinheiro fácil, mas a questão é: Aprendemos? Não! Infelizmente a Lei de Gerson não é exclusiva dos brasileiros, tem muita gente querendo levar vantagem em tudo e isso que mata o progresso.

5. Até o nascimento do MIBU, você tentava lutar contra a pirataria dos filmes com a DVDSemGrilo, até que chegou um ponto em que você resolveu por um fim a essa idéia. Qual foi a maior lição que você pode aprender com os erros, acertos e os desafios de um primeiro empreendimento que não deu certo?

Olha, a grande lição que aprendi desta minha primeira experiência foi de que uma grande ideia não é suficiente. O modelo de negócio em si da DVDSEMGRILO é bom, visto que a Netmovies está crescendo e comprando outras empresas do mesmo segmento. Porém, eles tem algo que eu não tinha: Investidor! Com isso aprendi que só romantismo não aumenta o faturamento da sua empresa.

A outra grande lição foi que é muito complicado mudar uma cultura. As pessoas adoravam quando eu falava da forma como trabalhavamos, porém na prática, tinham receio de contratar o serviço. Junte isso a pirataria e vai entender o que estou falando. Infelizmente a pirataria hoje faz parte da cultura do brasileiro; até porque os altos impostos também não ajudam a reverter isso.

Mesmo dentro de todo este cenário, não me arrependo da experiência não. Perdi muito mais que dinheiro e isso foi muito ruim, porém, encaro o que aconteceu como um grande MBA. Quem quer ganhar tem que arriscar, tem que tentar!

6. De onde surgiu a idéia do MIBU? Em pouquíssimo tempo o MIBU já se tornou um portal e uma empresa bem conhecida. Qual foi o segredo para disseminar a idéia do MIBU e conseguir um retorno tão rápido? Quais são os próximos passos rumo ao crescimento em 2010? Enfim, o que significa MIBU e qual a história que ele veio pra contar?

O MIBU surgiu de uma necessidade pessoal de encontrar lugares para visitar nas cidades próximas da região bragantina. Enquanto a maioria das pessoas reclamam que “não tem o que fazer” em suas cidades, procurei encontrar lugares diferentes, empresas de serviços e tudo o que acredito possa ser útil para quem mora ou vem conhecer a região. Muitas vezes compramos “fora” produtos ou serviços simplesmente porque desconhecemos as empresas locais. Eu honestamente espero que o MIBU contribuia para o fomento do comércio local.

Quanto ao retorno rápido, acredito que isso se deve ao fato de focarmos em poucas cidades de uma determinada região. A maioria dos portais deste gênero querem atender o Brasil inteiro e com isso, acabam se tornando genéricos demais. Um frase que sempre uso e que acredito explica exatamente a filosofia do MIBU é: “O Google quer o mundo, queremos apenas um pedaço” É exatamente isso, apenas um pedaço! FOCO entende? Não se trata de pensar pequeno e sim de ter um foco bem definido!

Nosso próximo grande passo é torná-lo grátis! 2010 com certeza será o ano de torná-lo um serviço gratuito para as empresas da região, com fotos, vídeos e muito mais informações. Existe um modelo de negócio sendo construído para sustentar esta nossa decisão, mas o grande desafio aqui está em como fazer isso mantendo um padrão de qualidade. Não queremos ficar genéricos.

7. As teorias dos grandes livros de negócios mais-do-mesmo são lindas. São lindas até quando não funcionam, mesmo sendo ultrapassadas. Em grande parte do tempo, o desafio de um empreendedor de sucesso é buscar novas teorias, novas histórias e novos planos e tentar fazer com que na prática eles sejam tão bonitos quanto na teoria. Qual é a maior dificuldade em tentar transformar toda a teoria dos livros em prática empresarial?

Na prática a teoria é outra, sempre foi assim e sempre será. 90% dos livros são feitos para vender, não para ensinar ou ajudá-lo a resolver realmente os seus problemas. Ainda sim os livros são importantes, os 10% restantes realmente contribuem para uma boa formação, o difícil é achá-los. No meu caso, sempre manteho o mesmo processo: leio, filtro o que considero importante e mando bala! Deu certo? ótimo! Não deu? vamos para o próximo! Não tem muito o que inventar, é praticar e medir os resultados!

8. Existe um velho ditado que acabou se tornando uma quase-verdade incontestável dos negócios que diz que o verdadeiro empreendedor tem que quebrar. Que ele só amadurece depois que quebra, pelo menos uma vez. Qual o grau de verdade dessa afirmativa?

Eu encerrei o negócio da locadora mesmo com ela faturando, não esperei quebrar para “me tocar” que não ia dar certo. Tentei por anos, mas chegou um momento em que não compensava ficar investindo meu tempo naquilo. Então penso que não é preciso chegar “no fundo do poço” para amadurecer, o que você precisa aprender rápido é ter humildade e visão. Humildade para admitir que em algum momento algo deu errado e visão para enxergar novas possibilidades de negócio que estão a sua frente.

Foi o que eu disse! Quem disse que não era possível aprender com os pequenos. Quem tiver alguma dúvida e quiser falar direito com o Alexandre, manda um e-mail pra ele.

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Um pensamento sobre “Jantando com o Empreendedor.

  1. Grande Enrico, modéstia a parte a entrevista ficou bem legal hein? Parabéns pelo seu esforço diário em levar conteúdo para os pequenos empreendedores.

    No mais, estamos ai pessoal, o que precisarem, só mandar e-mail que na medida do possível sempre procuro ajudar, contribuir de alguma forma para o sucesso das pessoas que assim como eu estão na batalha, atrás de seus sonhos!

    Namastê
    Alexandre Viveiros
    http://www.mibu.com.br

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