Ajudar os outros é o primeiro passo para ajudar a si mesmo.

Dias atrás eu iniciei uma série de  posts sobre liderança. O post foi inspirado no livro de John Wooden, “Jogando pra Vencer” e é um checklist de alguns comportamentos para despertar o espírito da liderança.

O checklist é composto de sete itens:

  1. Seja verdadeiro consigo mesmo;
  2. Ajude os outros;
  3. Faça de cada dia sua obra prima;
  4. Leia bons livros, sobretudo a bíblia;
  5. Transforme a amizade em uma arte;
  6. Construa um abrigo para os seus dias de chuva; e
  7. Ore todos os dias para pedir orientação e agradecer as bençãos que recebeu.

No outro post eu falei sobre ser verdadeiro consigo mesmo. Agora, vamos falar sobre ajudar os outros. Antes de mais nada gostaria de deixar claro que, ajudar os outros é muito mais uma maneira de crescer, aprender e ajudar a nós mesmos do que ajudar os outros. E eu não estou falando de caridade. Uma ajuda vem muito mais do que apenas caridade.

Ontem eu estava sentado no ônibus, voltando de um almoço na casa de minha avó, quando um senhor, aparentando uns sessenta e poucos anos (provavelmente mais de 65 porque entrou sem pagar passagem) chegou no ônibus com dificuldades motoras. Além de ter uma enorme dificuldade para andar, sua postura era claramente corcunda.

Ele contou uma história pro pessoal do ônibus e, olhando para a sua sacola, pensei que ele quisesse vender alguma coisa para nós passageiros. Mas ele não vendeu nada. Disse que sempre tinha sido um homem trabalhador, morava no Rio de Janeiro, mas um dia sofreu um acidente, foi atropelado e ficou entre a vida e a morte. Na sua recuperação ficou com inúmeras sequelas motoras, que o impediam de trabalhar. Mas, o INSS havia negado a ele todas as vezes que ele tentou se aposentar por invalidez, uma vez que ele ainda não tinha tempo suficiente para aposentar por tempo de contribuição.

Ele foi adiante. Disse que tinha três filhos. Que a esposa ganhava menos de um salário mínimo por mês e que, sem a renda dele a família estava passando por necessidades. Falou ainda que o seu sonho era poder não passar o ano novo com fome e ter algo para dar para os seus três filhos, que com muito sacrifício conseguiam ir à escola. Mas, com as férias escolares não estavam tendo como se alimentarem direito, uma vez que as refeições escolares são as únicas que eles faziam regularmente.

E ainda finalizou dizendo que aceitava qualquer ajuda. Moedas de um centavo, pacote de biscoito aberto, garrafa d’água, qualquer coisa que fosse de bom coração. Só pediu para não ser humilhado, porque ele pedia porque não tinha saúde para trabalhar e, já tinha trabalhado muito, não era vagabundo. Ele ainda teve forças de desejar um 2012 abençoado para os passageiros, antes de agradecer às doações que recebeu e descer do ônibus.

Eu não sei o nome desse senhor. Mas essa é uma história sensacional sobre como nem sempre pensamos em dar a ajuda que as pessoas realmente precisam. Queremos apenas dar a ajuda pra ficarmos bem com a gente.

A verdadeira ajuda que esse senhor precisava está além de moedinhas. Ele precisava de um aconselhamento jurídico. Precisava entender que, se contribui e está incapacitado, tem direito de se aposentar. Ele precisava, muito mais do que bolsa família, que as escolas ficassem abertas durante os finais de semana e férias, para servir a alimentação que é a única decente que seus filhos têm. Tem estado, cidade e país que fazem isso. Ajuda muitas vezes, muito mais do que ajuda financeira, porque na escola, o lanche é balanceado, tem aquilo que as crianças precisam e, ajuda no crescimento saudável de muitas famílias. Nós sustentamos políticos corruptos e bandidos a pão de ló e, muitas vezes esquecemos que são simples detalhes, muito mais funcionais do que financeiros que realmente ajudam as pessoas a longo prazo.

Quando eu estava na faculdade, como parte de estágio, fomos à casa de custódia da região. Eu não tenho a menor vontade de ajudar uma pessoa que foi presa porque fez algo de errado: tirou uma vida, roubou uma família, ou destruir lares. Eu acho que tínhamos que visitar albergues, asilos, orfanatos. Quantas pessoas nesses lugares estão sem esperança, estão precisando de uma ajuda para receber um remédio, para receber uma pensão, ou apenas de um aconselhamento do que fazer para o neto parar de usar o dinheiro da sua aposentadoria enquanto ela fica em um asilo, dormindo em um colchão sem lençol.

Por que é muito mais bonito ajudar os presidiários? De acordo com a Gazeta, 85% dos presos reincidem. Ajudar as pessoas que tem 85% de chance de cometer a mesma burrada é, na minha opinião, perda de tempo. Ajudar as pessoas que precisam de uma nova perspectiva de vida é, na minha opinião fazer a sociedade crescer.

Eu desejo, para mim e para todo mundo que, em 2012 dediquemos apenas uma pequena parcela do nosso tempo para ajudar os outros. Não a dar a ajuda que nós queremos dar. Mas a ajuda de que as pessoas precisam. No meu caso hoje, fui covarde e acomodado o suficiente para apenas dar um trocado para aquele senhor. Perdi uma grande oportunidade de fazer bem a mim e a ele.

Por isso, eu acredito que devemos aproveitar essa época do ano em que fazemos reflexões, promessas e estabelecemos metas, para estabelecer uma meta de voluntariado. Nada de comprar doces no sinal, nada de ajuda de minutos. Mas ajudar efetivamente aqueles que precisam a mudar de vida, a tomar um rumo para a sua vida.

Esse é o primeiro passo para ajudarmos a nós mesmos. A crescermos, termos uma visão global sobre a nossa sociedade. Crescemos como ser humano, porque aprendemos a valorizar aquilo que temos. Crescemos como cidadãos, porque vamos começar a ver o que nossa região, cidade, estado e país realmente precisa e, com isso, aprenderemos a cobrar desses políticos bandidos e fanfarrões muito mais do que um patrocínio para um churrasco, um desconto para um parente em faculdade, ou um cavalete para fechar a rua em dia de festa. Vamos cobrar o que o país precisa.

E eu não estou dizendo ajuda financeira. Estou dizendo ajuda que valha mais do que isso. Um conselho, um direcionamento, uma solução de um problema que, muitas vezes pode mudar a vida das pessoas. No caso do senhor do ônibus, talvez uma doação de alguns alimentos para a escola dos filhos dele, além de um dia de voluntariado ao final de semana por mês, ajude muito mais do que aqueles trocados que eu joguei na mão dele. Às vezes, um cartão que eu tivesse dado de um amigo advogado poderia mudar pra sempre a história não só dele, mas da família toda.

Nós temos uma ideia sobre caridade, sobre voluntariado muito estranha. Ajudamos as outras pessoas para ficamos bem com a gente. Queremos, em curto prazo, apenas ver o problema há quilômetros de distância, porque, aquilo que não podemos ver, para muitos não existe. Enquanto deveríamos ajudar para o outro. Resolver a longo prazo para que a pessoa consiga, depois se virar sozinha sem depender das nossas migalhas.

Eu acredito que era mais ou menos isso que o pai de John Wooden queria dizer com ajude os outros. Ajude os outros (a crescer) e você estará crescendo, aprendendo e entendendo as pessoas, as coisas ao seu redor e, estará sendo um verdadeiro líder. Não adianta ajudar um senhor idoso a atravessar a rua apenas uma vez. Temos que nos mobilizar e fazer alguma coisa para que ele consiga, SOZINHO atravessar sem nenhuma dificuldade a rua todas as vezes que ele precisar se locomover.

A liderança é uma poderosa combinação de estratégia e caráter. Mas se tiver de passar sem um, que seja estratégia“. Norman Schwarzkopf.

Viva o caráter!

A verdade acima de todas as coisas.

Eu terminei há pouco de ler o livro “Jogando Para Vencer“, de John Wooden e Steve Jamison, um bom livro sobre liderança, competitividade e exemplo. O que mais me chama atenção no título do livro, e que se mostra no estilo Wooden é que o livro é sobre vencer, e não sobre ganhar. E, vencer não é só ganhar. Vencer tem a ver com sucesso, com dedicação e esforço que, muitas vezes vão além de apenas ganhar uma partida.

John Wooden foi técnico de basquete universitário nos Estados Unidos.

John Wooden foi jogador de basquete e atuou como técnico por mais de quatro décadas. Foi considerado treinador do século pela ESPN e suas lições no esporte são aplicadas como exemplo de liderança em todos os setores. Infelizmente, morreu em junho de 2010, aos 99 anos.

Entre as partes que mais me chamaram atenção no livro, o que Wooden chama de “A doutrina de meu pai em sete itens”, acredito eu é um checklist de liderança e de melhoria contínua, que certamente vale passar para frente e seguir. Aí estão elas:

  1.  Seja verdadeiro consigo mesmo;
  2. Ajude os outros;
  3. Faça de cada dia sua obra prima;
  4. Leia bons livros, sobretudo a bíblia;
  5. Transforme a amizade em uma arte;
  6. Construa um abrigo para os seus dias de chuva; e
  7. Ore todos os dias para pedir orientação e agradecer as bençãos que recebeu.

Eu vou, em uma série de posts, falar um-a-um sobre esses mandamentos de vida. Acredito que, todos eles possuem a capacidade de despertar o espírito de liderança em todos nós e, nos ajudarmos a ser 1% melhor diariamente, algo que eu acredito deveria ser a meta de todos nós.

Porém, antes de começar a falar sobre o primeiro item, quero deixar um pequeno vídeo de Wooden no TED, em 2001, que mostra a genialidade e o cérebro brilhante por trás do treinador de basquete que levou a equipe da UCLA a feitos incríveis.

Bem, o primeiro item da lista de “Sete doutrinas” é seja verdadeiro consigo mesmo.

Eu acredito muito em sermos pessoas (e empresas, produtos e marcas) coerentes. Ser coerente é ter suas atitudes da mesma maneira com aquilo que você prega. Ou seja, ser na ação, aquilo que dizemos com palavras, que somos. Essa é a primeira características para que você chegue ao seu objetivo.

Alguns escândalos sexuais nos dão a noção de importância da coerência. Eu não consigo enxergar nenhum motivo lógico ou racional para explicar os motivos pelos quais os padres não podem se casar. Obviamente, como tudo que é escuso na conduta de Jesus, a igreja sabiamente consegue um jeito de explicar isso através de dogmas e proibições. Mas a verdade é que não existe nenhuma explicação racional para isso.

Porém, acontece que a carreira de padre, acabou por ser um refúgio para alguns homossexuais que as famílias eram rígidas demais e nunca iriam aceitar a sua conduta que acreditam ser “infame”. Acho que isso é uma maneira de explicar os escândalos sexuais que nos últimos cinco anos vieram estourando mundo a fora e mostrando que, por trás de alguns padres, alguns religiosos, a batina fez apenas aflorar um sentimento ainda mais estranho como a pedofilia. E centenas de padres – e religiosos acima deles, que não sei o nome – mostraram-se monstros, praticando atos com crianças que, em que seus sermões diários condenavam absolutamente.

A primeira pergunta que poderia vir dessa atitude é: se padres não podem casar e, aconselham seus fiéis a só praticarem o ato sexual após o casamento, por que cargas d’água estão praticando atos sexuais? O segundo questionamento seria: se os padres em seus sermões explicam a bíblia e o fato de termos que proteger as crianças, porque diabos eles estão molestando essas mesmas crianças?

Essa atitude não é coerente.

Da mesma maneira, para não dizer que eu estou condenando a igreja católica, temos os pastores evangélicos. Esses sim, podem casar. Mas, defendem a fidelidade. E, praticam a infidelidade junto com algumas fiéis. Fiéis estas, casadas. Aonde está a coerência nos líderes religiosos que, em muitos casos são pilares para famílias inteiras e exemplos para alguns jovens?

Eu não vou mencionar o fato do dízimo na igreja evangélica. Nem dizer nada sobre lavagem de dinheiro, nem o luxo que pastores vivem. Ah! E nem estou dizendo que os comportamentos acima, de padres e pastores é comum. Estou dizendo apenas que eles existem. É só procurarmos nos jornais.

Será que existe um caminho para a coerência? Qual a maneira de não criarmos uma armadilha para nós mesmos e, trilharmos o caminho aonde palavras e atitude se completam?

Coerência, ser verdadeiro consigo mesmo, tudo isso tem a ver com autoconhecimento.

Precisamos conhecer muito bem as nossas atitudes, ser sincero com aquilo que fazemos e aquilo que achamos que fazemos. No fundo, sabemos quando estamos trilhando um caminho correto, quando estamos dizendo algo que não condiz com nossas atitudes. A verdade é que, não podemos nos supervalorizar, porque na grande maioria das vezes, não somos tão bons quanto pensamos e, ainda temos um longo caminho a percorrer.

Precisamos ter compromisso com a verdade. Primeiro com a verdade para nós mesmos. Depois, precisamos nos conhecer, jogar limpo com o que acreditamos que somos e o que realmente somos. Somente assim, conseguiremos atingir a coerência e sermos aquilo que pregamos.

É impossível traçar um caminho até o sucesso, seja qual for o significado dele para você, sem jogar limpo consigo mesmo. Sem aceitar as limitações, os erros, as fraquezas e a insignificância é impossível evoluir e ser melhor do que ontem hoje, todos os dias.

Eu acredito que todos precisamos ter princípios em nossas vidas. Eu mesmo já falei disso aqui. E, se você não fizer uma auto-avaliação a todo momento e for verdadeiro sobre seu comportamento, sobre as suas metas e, principalmente se você está agindo de acordo com aquilo que pensa, que programou e que se propôs, vai ser difícil sair do lugar e realmente demonstrar alguma melhora.

Você pode mentir para você mesmo, fazer da sua vida uma farsa e, não chegar a lugar algum. Ou pode ser sincero consigo mesmo, aceitar o que precisa melhorar, buscar ser melhor diariamente e, quem sabe conseguir atingir a sua definição de sucesso. Mentindo, mesmo que para tentar enganar nos enganarmos, só estamos nos auto-sabotando e, prejudicando o nosso autoconhecimento, que é a única coisa que pode fazer com que atinjamos aquilo que um dia definimos como sucesso.

A mentira distorce o nosso caminho. A verdade é a única maneira de corrigirmos erros e tropeços antes que seja tarde demais. Seja verdadeiro consigo mesmo, antes que você tenha se transformado em um personagem e não se reconheça mais. A verdade leva à coerência e ao autoconhecimento.