A Escola do Futuro.

Segunda eu escrevi um artigo sobre como nossos jovens vêm sendo educado. Da forma “linha de produção” em que são encarados como produtos IGUAIS e são formulados com o MESMO PADRÃO, com o mesmo conhecimento, com a mesma aula. As escolas, sejam elas PÚBLICAS, PARTICULARES ou BENEFICENTES ensinam e educam nossas crianças através de uma FÓRMULA FRACASSADA. Elas aprendem a ter medo, a ter preguiça, a pensar pequeno e a se satisfazer com pouco.

MAS, ainda existe esperança. O que acontece quando crianças, jovens e adultos são apresentados a uma nova forma de ensino, à uma nova educação?

Uma Nova Educação…

José Pacheco é o idealizador e fundador da Escola da Ponte em Portugal, uma escola que aboliu de vez da vida dos estudantes as salas, carteiras e principalmente as séries. Passeando pelo UOL, eu me deparei com essa entrevista desse excepcional educador e vou passar pra frente. Tenho certeza que ela passou desapercebida para muita gente por lá, e republicando eu mantenho a idéia viva.

O pai do meu avô era portugues. Veio fugido de Portugal para o Brasil. Na primeira vez, assim que desembarcou no Brasil, foi descoberto e mandado de volta e, assim que chegou de volta a Portugal, tratou de dar meia volta e correr de novo para o Brasil. Aqui ele conheceu a mãe do meu avô, e eles tiveram três filhos. Só mais tarde se descobriu que ele tinha uma família por lá… Eu estou a dois passos da nacionalidade portuguesa. Eu ainda vou a Portugal conhecer o sistema de ensino de lá e isso não vai demorar muito. Antes de Portugal entrar para a União Europeia, um misto de sorte e credibilidade, ele estava apagadinho alí na Europa e ninguém dava muita importância pra ele. Hoje, ele é tido como o país mais criativo e inovador do mundo.Eu acredito que a grande parte da criatividade de uma criança vem da educação, da infância, do lazer e da cultura. Todo mundo justifica a “titularidade” de Portugal como país mais criativo do mundo com a entrada dele na UE e com a unificação de diversos parâmetros entre os países, inclusive a educação. MAS, a Escola da Ponte foi fundade em 1976, bem antes da unificação da Europa. Será que não foi Portugal que serviu de exemplo para a educação européia? Pelo que tenho visto e lido ultimamente sobre a educação desse país, foi isso mesmo que aconteceu. E Itália, França e Suécia pegaram carona com Portugal. Hoje, esses três países servem de exemplo sobre como deveria ser a educação ao redor do mundo.

Acompanhe a íntegra da entrevista:

UOL Educação – Em suas andanças pelo país, qual o absurdo que mais chamou sua atenção?
Pacheco – O maior absurdo é que a educação do Brasil não precisa de recursos para melhorar. O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os desperdiça.

UOL Educação – Desperdiça como?
Pacheco – Pelo tipo de organização. A começar pelo próprio Ministério da Educação. Eu brinco, por vezes, dizendo que o melhor que se poderia fazer pela educação no Brasil era extinguir o Ministério da Educação. Era a primeira grande política educativa.

UOL Educação – Qual o problema do ministério?
Pacheco – Toda a burocracia do Ministério da Educação que se estende até a base, porque a burocracia também existe nas escolas, à imagem e semelhança do ministério. No próprio ministério, o contraste entre a utopia e o absurdo também existe. Conheço gente da máxima competência, gente honesta. O problema é que, com gente tão boa, as coisas não funcionam porque o modo burocrático vertical não funciona. É um desperdício tremendo.

UOL Educação – Como resolver?
Pacheco – Teria de haver uma diferente concepção de gestão pública, uma diferente concepção de educação e uma revisão de tudo o que é o trabalho.

UOL Educação – O que teria de mudar na concepção de educação?
Pacheco – O essencial seria que o Brasil compreendesse que não precisa ir ao estrangeiro procurar as suas soluções. Esse é outro absurdo. Quais são hoje os autores que influenciam as escolas? Vygotsky [Lev S. Vygotsky (1896-1934)], Piaget [Jean Piaget (1896-1980)]? Não vejo um brasileiro. Mas podem dizer: “E Paulo Freire?”. Não vejo Paulo Freire em nenhuma sala de aula. Fala-se, mas não se faz.
Identifiquei, nos últimos anos, autores brasileiros da maior importância que o Brasil desconhece. Esse é outro absurdo. Quem é que ouviu falar de Eurípedes Barsanulfo (1880-1918)? De Tomás Novelino (1901-2000)? De Agostinho da Silva (1906-1994)? Ninguém fala deles. Como um país como este, que tem os maiores educadores que eu já conheci, não quer saber deles nem os conhece?
Há 102 anos, em 1907, o Brasil teve aquilo que eu considero o projeto educacional mais avançado do século 20. Se eu perguntar a cem educadores brasileiros, 99 não conhecem. Era em Sacramento, Minas Gerais, mas agora já não existe. O autor foi Eurípedes Barsanulfo, que morreu em 1918 com a gripe espanhola. Este foi, para mim, o projeto mais arrojado do século 20, no mundo.

UOL Educação – O que tinha de tão arrojado?
Pacheco – Primeiro, na época, era proibida a educação de moços e moças juntos. Só durante o governo Getúlio Vargas é que se pôde juntar os dois gêneros nos colégios. Ele [Barsanulfo] fez isso. Ele tinha pesquisa na natureza, tinha astronomia no currículo oficial. Não tinha série nem turma nem aula nem prova. E os alunos desse liceu foram a elite de seu tempo. Tomás Novelino foi um deles e Roberto Crema, que hoje está aí com a educação holística global, foi aluno de Novelino.

UOL Educação – Por que o senhor fala desses autores?
Pacheco – Digo isso para que o brasileiro tenha amor próprio, compreenda aquilo que tem para que não importe do estrangeiro aquilo que não precisa. É um absurdo ter tudo aqui dentro e ir pegar lá fora.

UOL Educação – Qual foi a maior utopia que o senhor viu?
Pacheco – O Brasil é um país de utopias, como a de Antônio Conselheiro e a deZumbi dos Palmares. Fui para a história, para não falar em educação. Na educação, temos Agostinho da Silva, que é um utópico coerente, cuja utopia é perfeitamente viável no Brasil. Ou seja, é possível ter uma educação que seja de todos e para todos. O Brasil, dentro de uns 30 ou 40 anos, será um país bem importante pela educação. São os absurdos que têm de desaparecer, para dar lugar à concretização das utopias. Acredito nisso, por isso estou aqui.

UOL Educação – Os professores são resistentes às mudanças?
Pacheco – Os professores são um problema e são a solução. Eu prefiro pensar naqueles professores que são a solução, conheço muitos que estão afirmando práticas diferentes.

UOL Educação – Práticas diferentes como a da Escola da Ponte?
Pacheco – Não são “como”, mas inspiradas, com certeza. São práticas que fazem com que a escola seja para todos e proporcione sucesso para todos.

UOL Educação – Dentro da escola tradicional, onde ocorre o desperdício de recursos?
Pacheco – Se considerarmos o dinheiro que o Estado gasta por aluno, daria para ter uma escola de elite. Onde o dinheiro se desperdiça? Por que em uma escola qualquer, que tem turmas de 40 alunos, a relação entre o número de professores e de alunos é de um para nove? Por que os laudos e os atestados médicos são tantos? Porque a situação que se criou nas escolas é a do descaso. Esse é um absurdo.

UOL Educação – Onde mais ocorre o desperdício nas escolas?
Pacheco – O desperdício de tempo também é enorme em uma aula. Pelo tipo de trabalho que se faz, quando se dá aula, uma parte dos alunos não tem condições de perceber o que está acontecendo, porque não têm os chamados pré-requisitos, e se desliga. Há um outro conjunto de crianças que sabem mais do que o professor está explicando – e também se desliga. Há os que acompanham, mas nem todos entendem o que o professor fala. Em uma aula de 50 minutos, o professor desperdiça cerca de 20 horas. Se multiplicarmos o número de alunos que não aproveitam a aula pelo tempo, vai dar isso.
O desperdício maior tem a ver com o funcionamento das escolas. Os professores são pessoas sábias, honestas, inteligentes e que podem fazer de outro modo: não dando aula, porque dar aula não serve para nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão.

UOL Educação – As famílias não estão acostumadas com escolas que não têm classe, professor ou disciplinas. Querem o conteúdo para o vestibular. Como se rompe com esse tipo de mentalidade?
Pacheco – Pode-se romper mostrando que é possível. Eu falo do que faço, e não de teorias. O que fiz por mais de 30 anos foi uma escola onde não há aula, onde não há série, horário, diretor. E é a melhor escola nas provas nacionais e nos vestibulares. Justamente por não ter aulas e nada disso.

UOL Educação – Por que uma escola que não tem provas forma alunos capazes de ter boas notas em provas e concursos?
Pacheco – Exatamente por ser uma escola, enquanto as que dão aulas não são. As pessoas têm de perceber que não é impossível. E mais, que é mais fácil. Posso afirmar, porque já fiz as duas coisas: estive em escolas tradicionais, com aulas, provas, com tudo igualzinho a qualquer escola; e estive também 32 anos em outra escola que não tem nada disso. É mais fácil, os resultados são melhores.

UOL Educação – Na concepção do senhor, o que é uma boa escola?
Pacheco – É a aquela que dá a todos condições de acesso, e a cada um, condições de sucesso. Sucesso não é só chegar ao conhecimento, é a felicidade. É uma escola onde não haja nenhuma criança que não aprenda. E isso é possível, porque eu sei que é. Na prática.

UOL Educação – O professor que está em uma escola tradicional tem espaço para fazer um trabalho diferente? O senhor vê espaço para isso?
Pacheco – Não só vejo, como participo disso. No Brasil, participei de vários projetos onde os professores conseguiram escapar à lógica da reprodução do sistema que lhe é imposto. Só que isso requer várias condições: primeiro, não pode ser feito em termos individuais; segundo, a pessoa tem de respeitar que os outros também têm razão. Se, dentro da escola, os processos começam a mudar e os resultados aparecem, os outros professores se aproximam. Não tem de haver divisionismo.

UOL Educação – O senhor acha que a mudança na estrutura da escola poderia partir do poder público ou depende da base?
Pacheco – Acredito que possa partir do poder público, mas duvido que aconteça. As secretarias têm projetos importantes, mas são de quatro anos. Uma mudança em educação precisa de dezenas de anos. Precisa de continuidade. E isso é difícil de assegurar em uma gestão. Precisa partir de cada unidade escolar e do poder público juntos.

Quando vamos tem um projeto à La Escola da Ponte por aqui??

O Exemplo é seu único legado.

O texto abaixo é de minha mãe. A minha mãe pra quem não sabe é uma dessas guerreiras que nunca morrem, nunca desistem, nunca admitem a derrota, nunca aceitam o fracasso e estão sempre olhando com cara de brava para os novos desafios.  Guerreiros estão sempre prontos pra batalha.

Se tem uma coisa que eu herdei da minha mãe é a força de vontade, a invencibilidade e o não derrotismo. Minha determinação é tão grande quanto a de minha mãe, que é tão forte e determinada que consegue marcar a vida de todos que a rodeiam. 

Como eu já disse por outras vezes aqui, ela é educadora. Não uma educadora, mas sim A educadora. Eu me atrevo a dizer, com minúsculas margens de erro que é a maior educadora e pedagoga de seu tempo, de sua geração. Pessoas são reconhecidamente espetaculares quando suas figuras são inseparáveis. Quando não conseguimos separar uma guerreira de uma mãe e de uma educadora, temos uma pessoa EXTRAORDINARIAMENTE diferente, fazendo a diferença. De que servem mestrados, doutorados, PHDs, MBAs, faculdades e títulos se não conseguimos aprender com a própria vida? RASGUE seus diplomas, aprenda com a vida, depois volte aos estudos. O seu único legado é o exemplo. Exemplo vem de berço. 

Acompanhe o texto da Regina Angelica Cardoso.

MEMORIAL DE LEITURA

Minha prática como leitora não vem de muito não.

Filha de pai operário , mãe exímia educadora dos filhos ,não tivemos algumas “regalias” como a aquisição de um acervo de livros.

Sempre conversamos muito ,em família contávamos e ouvíamos muitos casos e sempre tivemos a liberdade de emitir opiniões. As histórias e os Contos de Fadas ficavam por conta de alguns exemplares que por vezes comprávamos ou ganhávamos de presente. Me lembro de um livro grande com bonita encadernação com várias histórias que eram lidas para os filhos , por minha mãe e mais tarde já alfabetizada eu lia e relia infinitas vezes as mesmas histórias.Lembro-me também de um disco LP com as histórias atrapalhadas de dois palhaços “Fuzarca e Torresmo”, que ficava na casa de minha avó já que não tínhamos “Toca discos”, mas nada foi mais marcante e prazeroso  que ouvir as narradas por meu pai: “O macaco e o rabo” e “A canequinha do Rei” repetidas incansavelmente, mas sempre com o gostinho de primeira vez.

Quando ingressei na 5ª série o acesso a Literatura ficou por conta da lista dos Clássicos exigidos: A Moreninha, Dom Casmurro, Helena, Senhora, O Cortiço, e outros dos quais éramos solicitados a fazer fichas de resumos, alguns foram gostosos de ler, outros porém nem mesmo eram bem entendidos. Ainda tiveram O Pequeno Príncipe e Polliana .

Com o passar do tempo o gosto pelo estudo ,a curiosidade e vontade de aprender mais, já na faculdade, vieram : Paulo Freire , Piaget. Vigostsky,Pedro Demo, Celso Vasconcelos, Dermeval Saviani, Moacir Gadotti, Regina Leite Garcia, Jussara Roffmann e muitos outros ao mesmo tempo que trabalhando com a Educação Infantil toda a magia  da literatura infantil reascenderam em mim o prazer da infância e fez de mim uma formadora de leitores. Lia para eles várias histórias diariamente, fazíamos “O Clube do Livro”, confeccionamos livros a partir de história lidas ou criadas por eles…

Em família não foi diferente,ao longo da infância de meus filhos adiquiri uma grande variedades de livros lidos diariamente o que despertou neles, gradativamente, o gosto e necessidade de ler o que, para mim, é motivo de grande orgulho; são hoje grandes leitores. O exemplo é o único legado que deixamos…

Viva para que você seja lembrado pelas suas ações, pelos seus exemplos e pelas batalhas vencidas. Não perca tempo!