Viva o Circo!

Quando eu era criança eu me lembro muito bem de ter ido inúmeras vezes ao circo. No jardim de infância, todo circo que chegava na cidade, as professoras logo organizavam uma “excursão” com as crianças para um pouco de lazer e show de arte: malabarismo, trapézio, contorcionismo e tudo mais que um circo que se preze deve ter. Circos famosos, como o do Marcos Frota, circos desconhecidos, todos os tipos deles. Quer um lugar melhor para ver espetáculos criativos que mexe com a cabeça das crianças? Fantasia, brincadeira, risco e muito profissionalismo. Tudo isso em um só lugar, o circo fez parte da minha infância, mas veio desde a minha geração perdendo o prestígio diante do público. Mas o circo continua sendo um ótimo lugar para inspirar a criatividade, trabalhar o imaginário e a curiosidade dos pequenos.

De uns tempos pra cá as coisas vêm melhorando, com os chamados circos contemporâneos, como o Cirque du Solei, o Circus Traces, que vêm reinventando a forma de se apresentar malabaristas, equilibistras, contorcionistas, todos juntos em um espetáculo onde o que vale é a arte. Os circos contemporâneos juntam tudo isso, com uma história no pano de fundo, muita coreografia, alegria e muito mais novidades do que o globo da morte. Instiga muito mais a imaginação, aliando todo o talento dos artistas a uma direção de arte, jogos de luzes e cenários, que fazem a imaginação das crianças – e também dos adultos – voar longe.

No início desse mês eu fui a uma apresentação do Circo Nacional da China, um circo que tem a roupagem contemporânea que fez outros circos ficarem conhecidos. É incrível. Mais do que nunca eu pude ver crianças olhando atentamente a todos aqueles artistas fazendo acrobacias com suas fantasias em um cenário, com um enredo, muita música de fundo e uma história por trás disso tudo, ou seja, um teatro do circo. Daí eu pude perceber como isso é importante para a criatividade, para a imaginação, para a infância das crianças. O espetáculo tem um enredo, mas não tem uma história pré-definida. Você pode imaginar o que quiser, por que a imaginação não tem limites. Pode criar a história, pode inventar o papel de cada personagem e ainda, pode alimentar a sua criatividade através de um espetáculo de arte maravilhoso.

No meio do espetáculo eu pude perceber como aquilo tudo é importante para a nossa imaginação, para exercitar a criatividade, a capacidade de criar hoistórias, para a experiência das pessoas. O circo está voltando ainda melhor e mais excitante… com histórias, novas coreografias, novos artistas, novos espetáculos e está mexendo com a criatividade de todo mundo. É impossível sair de um espetáculo desses sem se sentir mais leve, mais criança, mais sonhador e, acima de tudo, mais feliz. As crianças que estavam ao meu lado, ao tempo todo perguntaram aos pais o que estava acontecendo, quem era aquele, se era o “monstro” ou o “herói”, se eles iriam salvar a mocinha raptada e todas elas aplaudiram quando o vilão foi capturado. Tudo isso, elas entenderam sozinhas – ou quase, com apenas um pouco de ajuda dos pais – por que não havia nenhuma história contada por ninguém.

Toda criança deve ir ao circo.. ao novo circo, à nova arte do circo. Circo faz bem pra imaginação, pra criatividade, para o humor e o espírito. Imaginar quanto deve ser maravilhosa a sensação de estar no trapézio, criar uma história de pano de fundo, se divertir com a habilidade de pessoas bem treinadas que desafiam à leis da física, torcer para o mocinho terminar com a sua amada e vibrar com cada coreografia não esperada, com toda a produção, com toda a tecnologia empregada em nome do lazer, da cultura e da arte do circo.

Toda criança merece ir ao circo. Toda criança merece presenciar um espetáculo desses. Para estimular a criatividade e a imaginação. Tire, nem que seja por um dia, o video-game do seu filho, e faça ele se divertir como se fazia antigamente. A tecnologia pode ter nos dado jogos que estimulam a tomada de decisões, o pensamento estratégico, a postura e a personalidade. MAS, ainda sim, a criatividade é o embrião da inovação e sem ele, o resto é apenas conhecimento. O lazer a moda antiga tem muito a contribuir para a formação da personalidade, do caráter e da inteligência de uma criança. Substitua pelo menos uma vez, o video-game pelo circo, pelas brincadeiras com pessoas de verdade, bolas de gude, pipas, taco, futebol, damas e xadrez. Já diz o ditado, “mente sã e corpo são”. Não permita que as crianças do amanhã vivam enclausuradas em um ambiente digital, sem contato com coisas, pessoas, emoções, possibilidades e desafios reais.

Embasado por grandes psicólogios, psicoterapeutas e psiquiatras da área eu afirmo: a infância é o espelho do futuro. Por isso, educação e carinho é fundamental. Por isso, viva o Circo! Viva a criatividade e a imaginação.

O Legado de Michael Jackson.

Michael Jackson morreu. Ponto. Essa condição é irreversível. Se com ela aparecem trágicas revelações e suspeitas dramáticas, não seria diferente.

A vida que o artista levou foi cheia de controvérsias e a hora de sua morte não seria diferente. Se os filhos dele não são realmente dele? Se foi realmente uma injeção de morfina que o prejudicou? Se o médico é suspeito? Isso por enquanto é impossível de saber, até ficarem prontas, daqui a duas semanas aproximadamente, o resultado dos exames toxicológicos, que vão apurar a(s) causa(s) de sua morte.

Além de um patrimônio avaliado em US$ 1 bilhão e uma dívida equivalente a metade desse patrimônio, MJ deixou alguns outros legados e lições que eu acredito merecem ecoar nos anais da história e servir de lição para todas as pessoas.

1. A infância é o espelho do futuro. Tudo que Michael Jackson fez, ou deixou de fazer, foi reflexo de sua infância. Em primeiro lugar, com a fama precoce, junto de seus outros quatro irmãos.

A fama deslumbra as crianças, por que para elas tudo é apenas um divertimento, uma brincadeira, e não uma obrigação e uma coisa séria. Os pais deveriam respeitar essa vontade e ACEITAR quando elas decidissem para de brincar. Porém, Michael não teve essa sorte.

O pai obrigava os irmãos a encararem a carreira musical como uma profissão, mesmo muito cedo e, com toda rigidez e rigorosidade que NENHUM pai deve ter, humilhava e maltratava as crianças.

Jackson nasceu em Gray, no Estado americano de Indiana. Ao todo, seus pais tiveram sete filhos e desde muito pequeno ele mostrou habilidade musical, que foi ostensivamente treinada e explorada por seu pai, Joseph Jackson.

O pai foi guitarrista e era operário. Michael Jackson relatou que sofreu muitos abusos durante a infância, tendo que ensaiar exaustivamente, e, muitas vezes, a punição para erros era violenta.

O grupo Jackson Five fez sucesso em shows de casas do interior dos Estados Unidos, e com, a fama se espalhando, eles acabaram assinando um contrato com a gravadora Motown. Desde os 11 anos, Jackson integrou o grupo.

Para uma criança, ser chamado de burro, feio, ridículo, imbecil, imprestável e adoráveis adjetivos como esses, não é tão simples como (talvez) para um adulto. AINDA MAIS, se esses elogios vierem de seus próprios pais, que são as pessoas em que as crianças mais se espelham, mas acreditam e mais confiam.

Que criança acredita que o pai é mentiroso?

Que criança acredita que o pai estaria mentindo ao chamá-lo de narigudo, feio e MONSTRO? Os fantasmas da infância são os monstros do futuro.

Michael Jackson não queria ser branco, não queria ser cosmético. Ele queria apagar aqueles elogios que o seu pai o fizera no passado. Ele queria poder olhar no espelho e não concordar com ele.

Hoje, os pais (principalmente o pai) de Michael amargam uma grande responsabilidade no resultado final que o filho atingiu: a morte. O trauma psicológico imposto pelos pais se torna uma verdade absoluta na vida de uma criança. Por isso, em primeiro lugar, as crianças precisam de apoio, carinho, amor e EDUCAÇÃO. E não abuso, maus-tratos e punições.

Afinal, trabalho infantil é crime não apenas no Brasil, mas em todos os países civilizados do mundo. Crianças precisam brincar, se divertir, se sentirem amadas e apoiadas.

E não serem obrigadas a trabalhar para encher o bolso dos pais de dinheiro. São os pais que criaram a figura de um Michael Jackson infantil, bobo, fraco e viciado em remédios, que fugia de si mesmo e encarava um personagem que não era.

2. Não importa qual o seu ramo, sempre é possível inovar. Quem diria que depois de tantos músicos consagrados, artistas louváveis, existiria um artista que mudaria para sempre a história da música. Michael Jackson tem mais vendagens do Beatles e Elvis JUNTOS.

Trhiler, seu videoclipe mais conhecido, ganhou prêmios de CURTA-METRAGEM. Músicos de soul, black music, pop, hip-hop, rap e jazz seguem os passos de Michael Jackson. TODO bailarino que gosta de street precisa estudar os passos de Michael para poder montar uma coreografia.

Indiretamente, todo pessoal que surgiu depois dele, nessas áreas que eu disse, QUER QUEIRA, QUER NÃO, tem alguma influência dele. Michael Jackson, ao contrário do que todos imaginam, não tinha vergonha de ser NEGRO.

As suas mudanças de aparência foram resultado do tópico acima – a sua infância -, e existem inúmeras declarações dele (no próprio YouTube) defendendo os músicos negros, a música dos guetos e os artistas da periferia, do rap, do soul e da street dance.

Michael Jackson conseguiu fazer o que muitos não conseguiram: emplacar sucesso atrás de sucesso, ensinando um novo jeito de fazer shows aos artistas da época que vêm sendo seguido até hoje. Além de tudo isso, se não bastasse o legado musical, a herança cultural da dança e do estilo de se vestir nos palcos, Michael era obstinado.

Quatro horas antes de morrer ele estava ensaiando para sua nova turnê, que teria cinquênta shows em Londres e provavelmente mais trinta shows em outras cidades espalhadas pelo mundo. A turnê garantiria a Jackson um cachê aproximado de US$ 50 milhões. Invejável para qualquer artista de sucesso contemporâneo.

Os números de Michael Jackson ainda são absolutos. Ainda vai nascer algum outro artista espetacularmente extraordinário para quebrar os seus recordes de vendagem, de arrecadação e exemplos musicais. Por enquanto, e provavelmente sua morte eternizará esse título, ele é o REI DO POP.

3. Os remédios matam. Michael tinha dívidas que chegavam a US$ 200 mil em uma farmácia, com compras de medicamento. Tinha um médico particular para receitar medicamentos para dor e para todos os problemas de saúde que as inúmeras cirurgias que ele fez acarretaram.

Michael poupava esforços ao não andar, ao utilizar máscaras de oxigênio e ao evitar suas aparições em público. Suas cirurgias, suas plásticas acabaram debilitando todo o seu sistema imunológico e isso foi complicado ainda mais pelo vício em medicamentos como a morfina.

Há boatos que afirmam que ele não mais se alimentava e, vivia a base de remédios e compostos que substituiam as refeições, o que faria com  que todo o seu organismo estivesse fraco demais, e não aguentasse mais esforços. Enfim, aqueles medicamentos que eram pra ajudar acabaram apenas tornando-o cada vez menos saudável, e cada vez MAIS dependente.

Por último, ao decidir retornar, lançou mão de mais medicamentos para conseguir fazer o esforço dos ensaios para a sua nova turnê. Aqueles que eram para curá-lo, acabou por envenená-lo. Como diz o ditado, o que separa o remédio do veneno é a dosagem.

E neste caso, não há dúvidas de que os medicamentos foram mais uma ajuda para a lenta e gradual morte de Jackson, que tinha apenas cinquenta anos. Remédios são drogas.

Perigosos como qualquer cocaína, heroína, crack e cigarro, e como ambos deveria ser muito mais controlada pelos governos. Precisaram de mais quantos exemplos?

Uma biografia não-autorizada de Michael Jackson deve estar por vir. Um filme não tardará a ser filmado e, quem sabe assim, não consigamos todos nós entender um pouco mais dos conflitos que, diariamente aterrorizavam Jackson e o tornaram naquilo que ele foi: uma pessoa tão controversa, com tantos altos e baixos.

Com uma história tão triste, que tinha tudo para ser BRILHANTE. Michael Jackson merece um filme de sua biografia. Negar o talento, a genialidade e os conflitos psicológicos desse artista é impossível.

A foto abaixo foi tirada no dia de sua morte. Jackson ensaiava com seus bailarinos para uma turnê de volta aos velhos tempos.

Michael Jackson

Heranças da Infância…

O novo filme de Coppola fala sobre a sua infância. Porém, com fatos que nunca ocorreram, mas que não deixaram de ser verdadeiros, segundo ele próprio. É na infância que nossa personalidade é formada e nossa postura pode ser consequência de todo e qualquer tipo de trauma, alegria, tristeza ou frustração que sofremos e que hoje não enxergamos essas influências em nosso dia-a-dia.

Tetro fala sobre relação de pais e filhos, que pode trazer danos irreparáveis ao caráter e à formação de uma criança.

Como era você há vinte ou trinta anos atrás?

Onde Você Guardou os Sonhos de sua Infância?

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Rua das Tulipas poderia ser considerado como, segundo a sua sinopse: “o filme da 2ª turma do treinamento ANIMUS – Oficina de Animação 3D da OZI, realizado entre agosto e outubro de 2007”. Porém ele é muito mais…

Rua das Tulipas é sobre ser INCOMODADO, sobre não ter medo do desconhecido, sobre querer sempre ser MELHOR do que antes. Rua das Tulipas é uma pequenina história engraçada sobre SUPERAÇÃO. Superar limites para satisfazer sonhos de quando éramos crianças…

Quando eu era criança eu queria ser cientista, inventar a cura para a AIDS e acabar com o câncer. Hoje, já ví pessoas sofrerem com o câncer e já ví a AIDS acabar com inúmeras esperanças de vida. Infelizmente eu não virei esse cientista. O caminho das Ciências Biológicas e da Saúde não se cruzaram com o meu: não gosto, não tenho inclinação nem disposição.

Porém eu sou um outro cientista. O cientista INCONFORMADO. Eu questiono teorias, papéis, escolas exatas de fórmulas mágicas miraculosas, crises e, principalmente tabús. Eu descobri que não levo jeito pra ser o descobridor da cura de doenças “incuráveis”, descobri que o que me dá prazer é outra coisa, descobri que a vida de adulto é mais difícil do que a das crianças e, principalmente que, mesmo não descobrindo a cura de nada, eu queria curar o mundo de tabús e preconceitos.

Aos dezessete pra dezoito anos, eu terminava o ensino médio. Eu tinha um dilema que todo jovem tem na cabeça com essa idade, tirando o sexo, que não vem ao caso nesse momento. Eu tinha que escolher um rumo a seguir para minha formação, eu tinha que escolher um caminho para estudar e para escolher viver a vida inteira fazendo. Eu terminava um curso técnico de informática e, poderia muito bem continuar na área, escolhendo um entre os milhares de cursos do mundo sobre TI. Mas eu parei pra pensar e, em um momento filosófico decidi que queria estudar alguma coisa que pudesse me fazer um agente transformador e, assim ajudar o Brasil, contribuir para alguma coisa. Foi assim que eu escolhi o Direito.

Eu nem lembrava mais dessa história, e me lembrei dela agorinha pouco, quando estava deitado, tentando dormir, pensando na vida, nas escolhas, nos caminhos e nas portas que fechamos e que abrimos durante a nossa caminhada. Eu, durante os cinco anos do Direito, tentava, forçosamente, lembrar o que me fez optar por essa carreira, por este caminho e não conseguia. Hoje, num estalar de dedos, em um estampido, lembrei naturalmente de tudo aquilo que passava por minha cabeça naquela época. O CURSO ACABOU! Os rumos novamente foram outros.

Mas a vontade de ajudar ainda existe. Eu estou disposto a ajudar a alavancar o Brasil, a transformar o país que eu tanto amo no país que eu ACREDITO ser o ideal. Eu sou como o Professor Paulino: persigo os sonhos de minha infância. Se eu não posso livrar o mundo da AIDS e do Câncer, eu quero livrar o Brasil da incompetência, da demagogia, dos falsos princípios e do “jeitinho”. Eu quero livrar o país do preconceito, do trabalho escravo, da corrupção e do lixo. Eu sou PERFECCIONISTA e, se não estiver bom pra mim, eu FAÇO DE NOVO.

Muito prazer, meu nome é Enrico Cardoso, eu sou Cientista dos Negócios, aluno do Professor Paulino e eu vim pra acabar com a brincadeira.

Acorda!! Tá na hora de mudar o mundo…