Paixão é o Segredo Para o Sucesso.

Ronald Degen, um dos responsáveis por difundir o empreendedorismo no Brasil, fala da importância da paixão para o sucesso do negócio, da melhor idade para começar a empreender, da frustração que uma franquia pode causar e como iniciar sem dinheiro.

Empreendedores de sucesso têm um perfil diferente daqueles que não vêem o empreendedorismo como opção de carreira?
Isso é um mito. Na verdade, o que percebo é que os empreendedores de sucesso, assim como pessoas bem-sucedidas que trabalham em outras áreas, têm um descontentamento nato que os ajuda a se destacar do resto. Eles não se conformam com o mundo e tentam adaptá-lo a si. Além disso, possuem grande necessidade de fazer acontecer e não medem esforços para alcançar o sucesso. Vida de empreendedor não é para qualquer um. Pelo menos no início, são no mínimo dez horas de trabalho diário, sete dias por semana.

A crise é um bom momento para abrir uma empresa?
Com certeza. Em geral, as pessoas estão acostumadas com determinado padrão de consumo que é difícil ser quebrado. Compram sempre a mesma pasta de dente, frequentam os mesmos restaurantes, vão as mesmas lojas. É muito difícil convencê-las a experimentar algo novo. Porém, em momentos como o atual, elas repensam os modelos de consumo e ficam mais abertas a novidades porque precisam economizar. A crise é uma ameaça ao estabelecido. É a oportunidade para o novo.

Existe idade certa para se tornar empreendedor?
O período universitário, dos 18 aos 25 anos, é o ideal. Nessa fase o jovem pode assumir riscos, pode experimentar. Ainda não possui responsabilidade com filhos, com despesas elevadas e pode recorrer à ajuda dos pais. Se o negócio não der certo, ele ainda tem a chance de recolocar-se no mercado de trabalho. A maioria das empresas valoriza funcionários que já tiveram um negócio próprio na juventude. Outra possibilidade, é virar empresário depois da aposentadoria. Nessa fase da vida, muita gente que não suporta a ideia de parar de trabalhar monta uma empresa. Como já tem renda garantida, o negócio vira uma maneira de preencher o tempo, conhecer pessoas, se divertir.

Teoricamente, devido à experiência no mundo empresarial, as chances de um grande executivo tornar-se dono da própria empresa são maiores. Porém, não é o que se observa na prática. Por quê?
As estatísticas mostram que muitos executivos quando tentam abrir uma empresa não se adaptam a estrutura do pequeno negócio. Nenhuma empresa nasce grande, é preciso crescer aos poucos para ter um desenvolvimento sólido. Conheço casos de executivos de renome que trabalhavam em multinacionais e decidiram pedir demissão para ser empresários. Eles compraram o escritório e contrataram a secretária antes mesmo de saber o que iam fazer. Como não houve um plano de negócio, perderam dinheiro logo de cara. Também há executivos que têm capital, desejam ter um empreendimento e estão sempre de olho nas oportunidades, mas não querem largar o emprego formal. Nesse caso, eles se tornam o que chamamos de investidores anjos, ou seja, investem capital e tornam-se sócios em empreendimentos. Encontrar um investidor anjo é o caminho ideal para jovens empreendedores.

Como atrair um investidor anjo?
Se a ideia de negócio é boa, ela certamente vai despertar interesse. Porém, é fundamental que as universidades incentivem mais o empreendedorismo, criem competições de planos de negócios. Conheço um jovem que ganhou uma dessas competições e foi convidado para apresentar seu projeto, uma fábrica de sucos, nos Estados Unidos. Lá se associou a um investidor anjo que bancou a ideia.

Os negócios bem sucedidos se baseiam em quê?
Há uma corrente de estudiosos nos Estados Unidos, com a qual me identifico, que diz que o que leva ao sucesso é a paixão. Ela é o que move barreiras e não nos deixa desistir. É claro que além disso é preciso identificar oportunidades de negócio, ser bem organizado financeiramente e saber traçar metas. Entretanto, se observarmos a trajetória de vários empreendedores de sucesso todos eles têm em comum adoração pelo que fazem.

Quais são os principais erros cometidos pelos empresários?
A área financeira é a maior responsável por fracassos. Estudo feito pelo Sebrae em 2005 aponta que o grande erro é subestimar a necessidade de capital ou vender para clientes que não pagam no prazo, dão calote. Outro problema muito comum é o proprietário ver o caixa cheio de dinheiro, achar que está rico e comprar uma BMW, ao invés de reinvestir na empresa. Também existem pessoas que simplesmente não se adaptam ao estilo de vida dos empreendedores. O dono de uma padaria, por exemplo, pode se cansar de ter que trabalhar aos finais de semana, acordar sempre cedo e ir dormir tarde. A falta de tempo para o lazer e para a família pode fazê-lo fechar as portas.

No Brasil, as franquias ainda são o setor mais procurado por quem quer abrir uma empresa?
Sim, porque elas apresentam uma série de vantagens. O risco do franqueado é menor, pois ele aposta em algo que já deu certo e conta com todo o apoio do franqueador para abrir e operar o negócio. É uma boa oportunidade de aprendizado. Por outro lado, a chance de crescimento é quase nula e como o sistema é muito rigoroso o franqueado não tem tanta liberdade para agir como quiser. Ele precisa cumprir metas, mostrar resultados de vendas, seguir a risca a padronização. Alguns empreendedores mais criativos se frustram com a rigidez imposta pelo modelo de negócio do franqueador.

É possível ficar rico sendo franqueado?
Não. O franqueado trabalha muito e ganha razoavelmente bem. Talvez um pouco mais do que receberia se estivesse empregado, mas não a ponto de ficar rico.

Qual a melhor maneira de driblar a concorrência?
Oferecer um produto melhor, por um preço melhor é uma saída. Quando o produto e o preço são os mesmos do concorrente, caprichar no atendimento pode fazer toda a diferença.

Por que é tão comum encontrar sociedades que não dão certo? Como escolher um sócio?
Sociedade é igual a casamento. É preciso ter paciência, saber ceder e, acima de tudo, é necessário que os sócios tenham características que se complementam. Se você não entende absolutamente nada de culinária e quer abrir um restaurante, o ideal é se associar a um chef e ficar com a parte administrativa. Quando há complementaridade, os pontos positivos de cada um aparecem e o negócio vai para frente.

No livro, o senhor afirma que muitos empresários trabalham demais e ganham menos do que gostariam. Por quê?
Porque eles abrem negócios medíocres, que não têm barreiras para a entrada da concorrência. Vamos supor que você monte uma academia de pilates em um bairro sem concorrência. Se o negócio for bem, certamente outras pessoas, atraídas pelo seu sucesso, também vão abrir academia e, em pouco tempo, você começará a dividir a clientela. É assim que um negócio sem barreira de entrada se torna medíocre e o empreendedor passa a trabalhar mais e ganhar menos. Agora, se o negócio está baseado em alguma característica positiva do dono, a situação é outra. Nesse caso, o empreendedor trabalha bastante, mas ganha bastante também. Bem mais do que se estivesse em um emprego formal.

Como iniciar sem dinheiro?
Para começar um empreendimento sem capital, a melhor solução é fazer uma sociedade. É preferível ser sócio, mesmo minoritário, em um negócio bem capitalizado do que correr o risco do improvável insucesso por iniciar sem recursos financeiros suficientes, ou mesmo não realizar o negócio. A maioria dos empreendedores de sucesso começa sem dinheiro e não vejo razão alguma para que um candidato a empresário não possa realizar seus objetivos, mesmo não dispondo do dinheiro necessário.

O que Você Está Fazendo Por Você Mesmo?

Eu acredito que a melhor forma de aprendizado é a prática; a possibilidade de vivenciar e aprender antes mesmo da teoria é uma oportunidade única, que muitas pessoas acabam por desperdiçar para dedicar-se exclusivamente ao estudo e à carreira de pesquisador/estudioso. Eu li uma vez, em um livro sobre a Microsoft um caso muito interessante de como a vivência e a experiência valem muito. Resumidamente, o caso era de um funcionário da Microsoft que pediu licença da empresa para fazer um curso fora, para quando voltar, ter a oportunidade de tentar uma vaga na gerência. Mas, como esse funcionário era muito bom e competente, seus superiores lhe questionaram se, caso eles lhe dessem a promoção, ele desistiria do curso; o que ele imediatamente respondeu afirmativamente e foi feito. A empresa o promoveu e ele abriu mão do curso. Mais uma prova de que á melhor forma de aprender é fazendo.

Eu sou um grande defensor de se trabalhar e estudar. Nossa vivência educacional no Brasil preza as pessoas que puderam apenas estudar, que nunca trabalharam, para trabalhar somente após o final de cursos e de especializações. Infelizmente, isso é uma pena. Ao se trabalhar, temos a possibilidade de, ou testarmos aquilo que estamos estudando, ou de nos apaixonarmos pela área que estamos trabalhando (e, muitas vezes não tem nada a ver com a nossa faculdade, ou curso técnico). Se não bastasse a oportunidade de testar a teoria na prática, ou de se envolver com outra área, temos ainda os contatos, o networking e o aprendizado em grupo.

Pense da seguinte maneira: um profissional nunca trabalhou na vida e inicia sua jornada na faculdade sem nenhuma experiência. Além da inexperiência, vai estudar fora, com patrocínio e apoio dos pais, o que impede ainda mais que a pessoa trabalhe, por estar fora, sem muitos contatos e dependendo do tamanho da cidade, sem oportunidades de estágio, ou de um outro emprego alternativo. Terminado o curso (quatro ou cinco anos), a pessoa inicia a jornada de DESEMPREGADO, pois é assim que uma pessoa sem experiência e que nunca trabalhou inicia sua vida profissional: desempregado. Muitas vezes, só vai pintar o primeiro emprego, a primeira oportunidade, depois dos 25 anos. Ou seja, o contato da teoria com a prática só se inicia muito tarde na vida, e aí, é pouco tempo para aprender muitas coisas sobre a vida profissional.

Por outro lado, a pessoa que trabalha desde cedo, fazendo sacrifícios e estudando à noite, e nas madrugadas na véspera de provas, tem muito mais coisa para acrescentar na sua carreira. Primeiro porque, junto do amadurecimento nos estudos, vem o amadurecimento profissional. Segundo, porque independente da relação entre os estudos e a profissão, muita coisa sempre pode ser adaptada, complementada e é possível aprender na prática. Aos 25 anos, esse profissional terá mais experiência, mais visão de mercado, estará mais amadurecido e isso, com certeza irá se refletir positivamente. Afinal, quem tem mais contatos, aquele que sempre trabalhou, o recém ingressado no mundo profissional?

Porém, infelizmente, assim que terminam a faculdade, muitas pessoas param. Ficam ESTAGNADAS, sem se preocupar com nada, com a sensação de dever cumprido. É aí que a coisa começa a complicar. Por quê? Porque, apesar de a prática ser a melhor forma de estudo, precisamos alimentar o nosso cérebro (que é um músculo, e precisa ser exercitado), com desafios, conteúdo e aprendizado. Afinal, as pessoas passam o dia inteiro trabalhando, doando e vendendo seu trabalho em troca de um salário, e não faz nenhum investimento no futuro, pois aquilo que fazemos depois que já doamos nossa mão-de-obra é o que determina a distância que vamos conseguir caminhar a mais no final da jornada.

Quem faz mais sacrifícios sempre está mais bem preparado. Aquele que faz sempre mais do que é cobrado, mais do que os outros fazem, mais do que ele mesmo acredita que aguenta, consegue colher mais, ir mais a adiante, e alcançar e realizar muito mais objetivos. Afinal, o que determina o vencedor no final é o caminho percorrido e a prova é realizada passo por passo. O importante é acreditarmos que, quando não da mais, tentarmos sempre um passo a mais adiante: assim, não se contente com o diploma ou o certificado, faça por vontade própria. A melhor forma de aprendizado é a boa-vontade aliada ao trabalho. Por trabalho, entenda ser o melhor do mundo em alguma coisa, fazendo algo de relevante para você e para os outros. Por boa-vontade, entenda, cursos, leituras, relacionamentos, aprendizado e sacrifício. Afinal, não é à toa que os exemplos em excelência vêm de pessoas que a vida inteira se sacrificaram; e continuam sacrificando. Experimente dormir uma hora a menos, ler duas horas por dia, escrever por trinta segundos e nunca almoçar sozinho. O resultado será imediato e, você também sentirá a diferença.

Grandes poderes, grandes responsabilidades, quanto maior o treino maior a habilidade, nunca desista de tentar, Deus ajuda quem cedo madruga. Os ditados estão aí pra comprovar. Você vai querer tirar a prova real, ou vai começar desde já a fazer algo a mais para ser mais do alguém?

Invista em você. As suas missões no mundo são apenas duas: deixar um nome que sirva de exemplo, e dar liberdade financeira e de escolha aos seus herdeiros.

Nunca se contente com pouco. Honre a sua saúde e sua inteligência. Quando é dada a largada, todos os competidores estão em pé de igualdade na mesma linha. A partir daí, o que vai diferenciar a distância entre o vencedor e os demais é apenas uma coisa: a DEDICAÇÃO.

Acorda!! Tá na hora de mudar o mundo…

Como o Departamento de TI Pode Ajudar na Recuperação da Crise.

1. Preparação da TI – O “auto-conhecimento” é fundamental
Faça um levantamento rápido e ágil do que a TI tem referente a Recursos Humanos e Infraestrutura. Dessa forma, poderá definir o seu limite e ter em mãos a certeza de quais compromissos poderá assumir, evitando falsas promessas. Este auto-conhecimento é fundamental para que a TI não fique em uma situação de descrédito perante o business.

A partir disso, comece a mapear as alternativas, respondendo para a própria TI: onde  buscaremos os recursos quando precisarmos? Podemos, hoje, contratar recursos para ter capacidade excedente? Uma boa dica para não ser pego de surpresa é selecionar quais fornecedores e contratos devem entrar em vigor para atender à demanda.

2. Tática: Foco
A palavra de ordem será “recuperação”, mas na maioria das vezes a recuperação imediata não combina com planos e projetos de grande porte. A TI deve focar suas ações, inclusive na postura dos seus recursos humanos, em projetos de oportunidade. O que isso significa? Atender imediatamente as demandas exigidas pelo negócio para a saída da crise e recuperar o que foi perdido, mesmo que a solução a ser adotada não esteja alinhada com o direcionamento estratégico da TI.

3. Forme já o seu WAR ROOM para recuperação
A história mostra que a tendência é surgir uma avalanche de demandas para TI, já que todas as áreas de negócio que também tiveram retrações orçamentárias e foram obrigadas a engavetar alguns projetos, voltarão com força total. Reconsidere seus processos de “aprovação das demandas de TI” para que momentaneamente eles sejam mais dinâmicos e objetivos. Os comitês de aprovação, tradicionalmente lentos, devem ser substituídos por um war room, que tenha poderes delegados do business para rapidamente aprovar as mudanças de orçamento e priorizar as demandas voltadas à retomada dos negócios.

Um projeto importante pode ser o inimigo de um projeto ágil nesse momento. Priorize projetos de rápida execução, que tragam resultados imediatos. Vale muito mais dez projetos pequenos entregues do que apenas um de grande porte, desde que os pequenos sejam rápidos e eficientes. Além da velocidade, tem a questão do risco: a probabilidade de todos os dez projetos pequenos saírem errados é baixa; já um grande projeto importante “patinar” é tão comum que nem vale a pena estimar a probabilidade.

4. Pense a infraestrutura estrategicamente e use “Cloud” taticamente

Estamos vivenciando uma ruptura de conceitos recentemente, o fator principal para a decisão era a solução tecnológica, mesmo quando a empresa estava contratando outsourcing. Os novos modelos de entrega “cloud” são baseados em serviço e já não é tão importante a tecnologia aplicada para sustentar o serviço. TI terá que se adaptar a isso. No momento de recuperação, pense para atender rapidamente às demandas de hosting, aumento de capacidade e entrega de serviços, ao invés de desenvolver sistemas em contratos de curta duração. Isto é o que as empresas ágeis estão fazendo. Depois, a médio prazo, você poderá analisar esse impacto e planejar a sua infraestrutura. A tática é usar mecanismos de entrega rápida (o que está pronto, sem adaptar) e depois, na estratégia de médio/longo prazo, incluir as alternativas customizadas apenas onde o diferencial competitivo seja claro.

5. Faça um Plano Estratégico de TI, mas não inclua 2009
Sempre foi bom ter um Planejamento Estratégico e sempre será, mas separe em duas visões, uma para 2009, tática, e outra mais estratégica.

Para 2009, vale construir algo com um caráter tático e reativo ao business, priorizando a velocidade, o que por vezes poderá ficar temporariamente desalinhado com a estratégia.

Já para 2010 sintonize as diretrizes e caminhos do negócio com as diretrizes e caminhos da TI, contudo, não gaste muito tempo elaborando portfólio de projetos, porque eles mudam muito, principalmente em momentos de retomada como o atual. O plano estratégico deve focar em diretrizes e na governança que podem até se fundir.

6. Prepare a Arquitetura e Segurança para ser ágil e flexível
Tradicionalmente, a arquitetura limita a flexibilidade ao impor padrões, e a segurança limita a agilidade ao impor normas de prevenção e homologação. Para a retomada, a TI precisa ser mais ágil e flexível, ou seja, precisa ajustar sua arquitetura para acrescentar capacidade rapidamente e ao mesmo tempo adaptar-se às mudanças.

7. Consolide seu modelo de Sourcing vinculado aos KPIs do Negócio

A era de um único provedor de TI que resolve todos os seus problemas acabou. A adoção de multisourcing é uma realidade. O termo mescla provedores de TI e de negócios (BPO). A tecnologia precisa entender isso e não ter olhos apenas para seus provedores tradicionais (ITO). Uma área de gestão de contratos será vital. Pode ficar até fora da TI, mas tem que existir. A complexidade de fazer gestão de terceiros irá aumentar demasiadamente, pois a empresa irá lidar com um pool de provedores nunca visto antes.