A verdade acima de todas as coisas.

Eu terminei há pouco de ler o livro “Jogando Para Vencer“, de John Wooden e Steve Jamison, um bom livro sobre liderança, competitividade e exemplo. O que mais me chama atenção no título do livro, e que se mostra no estilo Wooden é que o livro é sobre vencer, e não sobre ganhar. E, vencer não é só ganhar. Vencer tem a ver com sucesso, com dedicação e esforço que, muitas vezes vão além de apenas ganhar uma partida.

John Wooden foi técnico de basquete universitário nos Estados Unidos.

John Wooden foi jogador de basquete e atuou como técnico por mais de quatro décadas. Foi considerado treinador do século pela ESPN e suas lições no esporte são aplicadas como exemplo de liderança em todos os setores. Infelizmente, morreu em junho de 2010, aos 99 anos.

Entre as partes que mais me chamaram atenção no livro, o que Wooden chama de “A doutrina de meu pai em sete itens”, acredito eu é um checklist de liderança e de melhoria contínua, que certamente vale passar para frente e seguir. Aí estão elas:

  1.  Seja verdadeiro consigo mesmo;
  2. Ajude os outros;
  3. Faça de cada dia sua obra prima;
  4. Leia bons livros, sobretudo a bíblia;
  5. Transforme a amizade em uma arte;
  6. Construa um abrigo para os seus dias de chuva; e
  7. Ore todos os dias para pedir orientação e agradecer as bençãos que recebeu.

Eu vou, em uma série de posts, falar um-a-um sobre esses mandamentos de vida. Acredito que, todos eles possuem a capacidade de despertar o espírito de liderança em todos nós e, nos ajudarmos a ser 1% melhor diariamente, algo que eu acredito deveria ser a meta de todos nós.

Porém, antes de começar a falar sobre o primeiro item, quero deixar um pequeno vídeo de Wooden no TED, em 2001, que mostra a genialidade e o cérebro brilhante por trás do treinador de basquete que levou a equipe da UCLA a feitos incríveis.

Bem, o primeiro item da lista de “Sete doutrinas” é seja verdadeiro consigo mesmo.

Eu acredito muito em sermos pessoas (e empresas, produtos e marcas) coerentes. Ser coerente é ter suas atitudes da mesma maneira com aquilo que você prega. Ou seja, ser na ação, aquilo que dizemos com palavras, que somos. Essa é a primeira características para que você chegue ao seu objetivo.

Alguns escândalos sexuais nos dão a noção de importância da coerência. Eu não consigo enxergar nenhum motivo lógico ou racional para explicar os motivos pelos quais os padres não podem se casar. Obviamente, como tudo que é escuso na conduta de Jesus, a igreja sabiamente consegue um jeito de explicar isso através de dogmas e proibições. Mas a verdade é que não existe nenhuma explicação racional para isso.

Porém, acontece que a carreira de padre, acabou por ser um refúgio para alguns homossexuais que as famílias eram rígidas demais e nunca iriam aceitar a sua conduta que acreditam ser “infame”. Acho que isso é uma maneira de explicar os escândalos sexuais que nos últimos cinco anos vieram estourando mundo a fora e mostrando que, por trás de alguns padres, alguns religiosos, a batina fez apenas aflorar um sentimento ainda mais estranho como a pedofilia. E centenas de padres – e religiosos acima deles, que não sei o nome – mostraram-se monstros, praticando atos com crianças que, em que seus sermões diários condenavam absolutamente.

A primeira pergunta que poderia vir dessa atitude é: se padres não podem casar e, aconselham seus fiéis a só praticarem o ato sexual após o casamento, por que cargas d’água estão praticando atos sexuais? O segundo questionamento seria: se os padres em seus sermões explicam a bíblia e o fato de termos que proteger as crianças, porque diabos eles estão molestando essas mesmas crianças?

Essa atitude não é coerente.

Da mesma maneira, para não dizer que eu estou condenando a igreja católica, temos os pastores evangélicos. Esses sim, podem casar. Mas, defendem a fidelidade. E, praticam a infidelidade junto com algumas fiéis. Fiéis estas, casadas. Aonde está a coerência nos líderes religiosos que, em muitos casos são pilares para famílias inteiras e exemplos para alguns jovens?

Eu não vou mencionar o fato do dízimo na igreja evangélica. Nem dizer nada sobre lavagem de dinheiro, nem o luxo que pastores vivem. Ah! E nem estou dizendo que os comportamentos acima, de padres e pastores é comum. Estou dizendo apenas que eles existem. É só procurarmos nos jornais.

Será que existe um caminho para a coerência? Qual a maneira de não criarmos uma armadilha para nós mesmos e, trilharmos o caminho aonde palavras e atitude se completam?

Coerência, ser verdadeiro consigo mesmo, tudo isso tem a ver com autoconhecimento.

Precisamos conhecer muito bem as nossas atitudes, ser sincero com aquilo que fazemos e aquilo que achamos que fazemos. No fundo, sabemos quando estamos trilhando um caminho correto, quando estamos dizendo algo que não condiz com nossas atitudes. A verdade é que, não podemos nos supervalorizar, porque na grande maioria das vezes, não somos tão bons quanto pensamos e, ainda temos um longo caminho a percorrer.

Precisamos ter compromisso com a verdade. Primeiro com a verdade para nós mesmos. Depois, precisamos nos conhecer, jogar limpo com o que acreditamos que somos e o que realmente somos. Somente assim, conseguiremos atingir a coerência e sermos aquilo que pregamos.

É impossível traçar um caminho até o sucesso, seja qual for o significado dele para você, sem jogar limpo consigo mesmo. Sem aceitar as limitações, os erros, as fraquezas e a insignificância é impossível evoluir e ser melhor do que ontem hoje, todos os dias.

Eu acredito que todos precisamos ter princípios em nossas vidas. Eu mesmo já falei disso aqui. E, se você não fizer uma auto-avaliação a todo momento e for verdadeiro sobre seu comportamento, sobre as suas metas e, principalmente se você está agindo de acordo com aquilo que pensa, que programou e que se propôs, vai ser difícil sair do lugar e realmente demonstrar alguma melhora.

Você pode mentir para você mesmo, fazer da sua vida uma farsa e, não chegar a lugar algum. Ou pode ser sincero consigo mesmo, aceitar o que precisa melhorar, buscar ser melhor diariamente e, quem sabe conseguir atingir a sua definição de sucesso. Mentindo, mesmo que para tentar enganar nos enganarmos, só estamos nos auto-sabotando e, prejudicando o nosso autoconhecimento, que é a única coisa que pode fazer com que atinjamos aquilo que um dia definimos como sucesso.

A mentira distorce o nosso caminho. A verdade é a única maneira de corrigirmos erros e tropeços antes que seja tarde demais. Seja verdadeiro consigo mesmo, antes que você tenha se transformado em um personagem e não se reconheça mais. A verdade leva à coerência e ao autoconhecimento.

Desenvolvendo o verdadeiro espírito da liderança.

Eleanor Roosevelt uma vez disse: “Um bom líder inspira as pessoas a terem confiança no líder, um grande líder inspira as pessoas a terem confiança em si mesmos”. Mas, se transformar em um grande líder não está fácil. Construir uma equipe de sucesso através dos altos e baixos de uma liderança pode ser um dos maiores desafios enfrentados por micro, pequenas, médias e até grandes empresas.

Liderança é uma das áreas que muitos empresários tendem a negligenciar, de acordo com o coach em liderança John Maxwell, cujos livros incluem: As 21 irrefutáveis leis da liderança Desenvolvendo o Líder dentro de você.

“Você trabalha duro para desenvolver seu produto ou serviço. Você luta para resolver seus problemas financeiros. Você sai, promove o seu negócio e vende o seu produto. Mas você não pensa o suficiente sobre liderar o seu próprio pessoal e encontrar a melhor equipe”, diz Maxwell.

Acontece que, as habilidades e talentos necessários para orientar a sua equipe na direção certa podem ser simples, e qualquer pessoa com determinação pode desenvolvê-las. Sendo assim, aqui vai uma uma lista de dez dicas para conseguir desenvolver o seu poder de liderança.

#1. Montar uma equipe dedicada.

A sua equipe tem que estar comprometida com você e com os negócios. Empreendedores bem sucedidos não têm apenas a expertise comercial, mas também o know-how para contratar de forma eficaz. “A ideia de um negócio colossal simplesmente não é suficiente. Você tem que ser capaz de identificar, atrair e reter talentos que podem transformar o seu conceito em um sucesso”. Saiba mais sobre desenvolver uma equipe de vendas matadora.

Ao montar a sua equipe, olhe para as pessoas cujos valores estão alinhados com o propósito e missão de sua empresa. Suzanne Bates, uma consultora de liderança, diz que os membros de sua equipe precisam acreditar naquilo que o líder faz. “Ter pessoas em sua equipe que têm tenacidade e espírito sincero é realmente importante”, diz ela.

#2. Super Comunicação.

Este é uma grande característica. Mesmo com uma equipe de apenas cinco ou dez pessoas, pode ser difícil saber o que está acontecendo com todos. Em um esforço para uma integração da comunicação, Bates compila uma atualização de notícias semanais ela chama de Previsão de Sexta-Feira, e envia por e-mail para sua equipe. “Minha equipe é sempre surpreendida com todas as notícias do mercado”, diz Bates. O importante é fazer as pessoas se sentirem informadas sobre o mercado. Afinal, o conhecimento é o grande diferencial do mercado.

#3. Não assuma.

Quando você tem negócio, você pode fazer com que sua equipe compreenda e assuma seus objetivos e missão – e eles podem. Mas, todo mundo precisa ser lembrado para aonde a empresa está indo e o que vai acontecer quando vocês chegarem lá. Seus funcionários podem perguntar: “O que tem lá para mim?”. É importante saber descrever esse cenário para todos da equipe. Aproveite o tempo para realmente entender as pessoas que estão ajudando a construir o seu negócio, e para saber o papel delas no futuro da organização.

#4. Seja autêntico.

Bons líderes incutem suas personalidades e crenças no DNA da sua organização. Se você ser é autêntico, e não tenta agir como outra pessoa, e se cerca de pessoas que estejam alinhadas com seus valores, seu negócio tem mais chances de ter sucesso.

Cada empresa é diferente e cada empreendedor tem sua própria personalidade, diz Flaxington. Se você é autêntico, você atrai as pessoas certas para sua organização. Tanto os funcionários quanto os clientes.

#5. Conheça os seus obstáculos.

A maioria dos empreendedores estão otimistas e certos de que estão dirigindo em direção a seus objetivos. Mas, muitas vezes, acaba por ser um líder míope que não toma o tempo para entender seus obstáculos.

Você precisa saber o em que você está indo de encontro e, ser capaz de planejar em torno dos imprevistos. É loucura pensar que só porque o empreendedor tem energia e entusiasmo, que você vai ser capaz de conquistar tudo. É muito mais inteligente dar um passo para trás e descobrir quais são os obstáculos, para depois enfrentá-los de frente.

#6. Criar uma direção para a equipe.

Muitas novas equipes de corrida, antes mesmo de descobrir quem são, onde eles estão indo, e o que vai orientar a sua viagem, diz Ken Blanchard, têm um local de trabalho e uma time de liderança de treinamentos. Apenas chamar uma equipe e dar-lhes uma meta não significa que a equipe terá sucesso e a meta será atingida.

É importante para criar um um planejamento que mostra claramente o que a sua equipe irá realizar, e como a equipe irá trabalhar em conjunto para alcançar os resultados desejados. Isso é muito importante.

#7. Acredite em seu pessoal.

Os líderes devem ajudar seu povo a desenvolver a confiança, especialmente durante tempos difíceis. Como Napoleão Bonaparte disse: “Os líderes são negociantes de esperança”. Essa confiança vem em parte de acreditar na sua equipe. Mas acreditar nas pessoas não é suficiente. Você tem que ajudá-las a vencer.

#8. Mantenha sua equipe engajados.

Grandes líderes dão desafios para as suas equipes e os mantém animados e comprometidos com elas, diz o especialista em liderança Stephen Covey. Ele apontou o exemplo de uma pizzaria de médio porte, em uma pequena cidade, que estava matando uma grande cadeia de fast-food nas vendas. A grande diferença entre eles era o líder, afirmou Stephen.

Toda semana ele reunia seus funcionários adolescente e animadamente perguntava-lhes: O que podemos fazer nesta semana que nunca fizemos antes? As crianças adoraram o desafio. Eles começaram a enviar mensagens de texto para todos os seus amigos sempre que começávamos algo especial. Levaram a máquina de cartão de crédito para a calçada para os motoristas poderem comprar pizza direto da rua. Eles carregaram um caminhão com as pizzas vendeu tudo nos jogos universitários. Não é de se admirar que o empreendedor, dono da pizzaria nunca teve problemas com a rotatividade de funcionários.

Liderança não é uma tarefa fácil. Ser exemplo para os funcionários menos ainda. Porém, você já sabe o principal que precisa colocar no seu check list da liderança.

Eu nunca trabalhei oito horas por dia!

O sonho de muitas pessoas é realmente não precisar trabalhar as malditas oito horas do dia. Mas, essa frase aí em cima não é minha. Não fui eu quem a disse e, o seu significado não tem nada a ver com o que algumas pessoas que podem estar lendo esse post estão pensando.

Eu tenho um grande presente em minha vida que é ter a minha família próxima. A relação que tenho com a minha mãe e irmã, que são incomuns e, a relação com todo mundo ao redor. O relacionamento que tenho com primos e tios, são muito mais estreitos do que a maioria, o que faz com que a minha pequena família, de certa maneira, possa-se dizer que é bem unida. E eu tenho por detrás de meu caráter e minha personalidade o exemplo de um grande homem, meu avô, que é o dono dessa frase aí.

Meu avô, hoje para completar seus setenta e nove anos é um senhor que casou muito jovem e, foi pai também muito jovem. E por circunstância do destino, foi pai de dois filhos, um atrás do outro. Digo circunstância do destino porque minha avó era muito inocente, havia sido criada em colégio interno de freiras e, naquele tempo, diferentemente de hoje, as meninas de dezessete anos não sabiam nada sobre educação sexual. Ela mesma me disse que só conseguiu entender, pela lógica e, ligando uma coisa à outra, como se engravidava, quando engravidou do seu terceiro filho.

E depois disso ela teve apenas mais um.

Acontece que, o meu avô em uma idade em que eu estava ainda estudando, e que hoje, 90% dos jovens também estão, já era pai, e pior, de dois filhos. A minha avó, nem bem tinha completado a maioridade e já tinha dois filhos para cuidar. Como ela mesma gosta de dizer hoje, ela era uma criança cuidando de outras duas. E por isso, meu avô nunca pode se dar ao luxo de trabalhar apenas oito horas por dia. E isso, em uma época em que ele trabalhava em turno de revezamento de seis horas, na ainda recente CSN.

Então, essa frase é do meu avô. Ele diz até hoje que, nunca trabalhou apenas oito horas. Depois que ele saia do seu trabalho ele sempre fazia alguma coisa. Construiu meio-fios em alguns bairros que ainda estavam em construção por aqui, foi motorista de taxi, vendedor de meias, relógios e etc. e, assim criou três filhos. Digo três porque o quarto filho só nasceu depois que os outros já estavam grandinhos.

E o mais legal é que meu avô foi vencendo. Em uma época em que curso superior era coisa pra poucos, meu avô com seu conhecimento, seu interesse e sua disposição foi ganhando espaço dentro da empresa em que trabalhava, fazendo contatos, criando seu networking e, sempre fazendo alguma coisa por fora, por aqui ou por ali para ajudar na renda e, assim poder ter um pouco mais de conforto.

Algumas pessoas diriam que a história do meu avô é uma exceção. Mas não é. Ela é muito comum, mais comum do que pensamos, pela época em que aconteceu, nos idos da década de 50. E meu avô não parou por aí. Ele, depois de aposentado, usou seu networking para abrir empresas de consultoria e representação, que duraram até eu ter nascido e já estar grandinho para poder me lembrar de algumas coisas. Mas, o mais importante é o valor que meu avô sabe que o trabalho tem nisso tudo.

Se perguntarmos pra ele a que ele atribui isso tudo, ele não dirá sorte, ou oportunismo, nem nada parecido. Ele responderá com a frase título desse post. Essa é a resposta. Essa é a resposta para grandes perguntas que as pessoas se fazem diariamente, mas que não conseguem enxergar.

Existe uma grande frase que, tem um pouco a ver com isso que é: “o que você faz em seu tempo assalariado determina o seu presente e, o que você faz no seu tempo não assalariado determina o seu futuro”. É mais ou menos isso mesmo. Hoje, estava conversando com um amigo, e ele me disse que o pai dele teve quatorze filhos. E que criou esses filhos com o dinheiro de um salário-mínimo.

Ele me dizia, que quando era moleque, ele e seus irmãos, no final de semana, trabalhavam ajudando a descarregar caminhões de cal, cimento, tijolo, em alguns materiais de construção para ter um trocado pra passar a semana, pra ajudar na merenda da escola, ou para sair com os amigos. E aqui não estou falando de trabalho infantil. Eles faziam porque precisavam, mas primeiro porque queriam. Queriam ter a autonomia e o prazer de ter um dinheiro pra si, para ajudar a desafogar as contas dos pais, e para poderem ter algo a mais do que os pais poderiam lhe dar.

E ele me disse que, nisso aí, ele e os irmãos pegaram gosto pelo trabalho. Que hoje, trinta anos depois, ele e os irmãos são trabalhadores, são esforçados e, têm consciência de que a única forma de conseguir algo para si e para a família que hoje têm é através do trabalho. Através das horas que têm para usar seus talentos e seus conhecimentos para produzirem algo.

Histórias como essa aconteciam antes, muito mais do que hoje. Como esse amigo mesmo me disse, hoje é mais fácil pedir mesada ao pai, pedir um dinheiro pra sair com os amigos, do que a pessoa querer fazer por merecer o dinheiro.

E realmente é mais ou menos isso aí. Eu vejo poucas pessoas, da minha idade, mais jovens ou até mais velhas, pensando que é o que a gente produz que nos transforma no que somos. Vemos poucos jovens pensando em trabalhar antes de terminar a pós-graduação. Vejo poucas pessoas querendo entrar no mercado de trabalho antes dos trinta anos. Vejo muito pouco sangue nos olhos dessas pessoas em trabalharem em construírem.

Muito pelo contrário, elas querem ter, para ostentar, mostrar e gastar. Não sei se falta paixão pelo trabalho, paixão pelo conhecimento, paixão pelos resultador, ou como já dizia o grande Jack Welch, paixão por vencer.

Sei que falta ambição. Falta querer mais. Os jovens hoje não têm contato com o trabalho como uma forma de construir algo, mas sim de conseguir algo. E isso não tem nada a ver com a melhoria da condição financeira da família e à possibilidade de uma pessoa poder focar nos estudos para somente depois trabalhar não. Até porque, subentende-se que, as pessoas estudam para criar, para trabalhar, para contribuir e, a melhor maneira de fazer isso é conciliando, juntamente com o estudo, a prática e o trabalho.

Mas, será que é tão difícil de enxergar isso?

Será que essa falta de ambição, essa falta de prazer por um legado, essa sensação de poder deixar alguma não é resultado disso? Porque eu vejo aquelas pessoas que por necessidade, vontade, ou até mesmo prazer, começaram a trabalhar desde cedo, conseguem se destacar, conseguem criar mais, conseguem ir além daquelas que só trabalham quando realmente precisam?

Porque na maioria das vezes, em sua raiz familiar isso está impregnado. Assim como na minha família, pelo meu avô e pelo pai dele a história de trabalho, de esforço de força-de-vontade e de exemplo; pela família de meu amigo, que começaram trabalhando para ter o “gostinho” da responsabilidade; e pelo exemplo de tantas outras pessoas que criaram famílias trabalhando, construindo e criando as coisas, geralmente em um primeiro momento por necessidade, seja depois por hábito prazer ou gosto.

O exemplo precisa estar impregnado nas famílias. Da mesma maneira que uma empresa precisa de suas raízes para deixar uma mensagem, as pessoas precisam de raízes para se transformarem em pessoas excelentes, diferentes, incomuns.

Eu vou citar um exemplo, sobre o “exemplo” que um amigo deu e que eu achei deslumbrante, que é sobre você precisar ser o exemplo, ser coerente, fazer o que você fala, ter atitude conforme aquilo que você prega porque só assim você consegue contagiar as pessoas que estão ao seu redor e, muitas vezes, aquelas pessoas que são diretamente influenciadas por você.

Um pai que diz que o filho não pode comer a sobremesa antes do almoço (ou da janta), tem que agir da mesma maneira. Não adianta ele dizer que o filho não pode e ele achar que ele, por ser o pai, por ser o “chefe” pode. Se ele diz que o filho não pode comer a sobremesa antes do almoço, ele tem que AGIR dessa forma.

O mesmo é um chefe que exige que os funcionários cheguem no horário. Ele precisa dar o exemplo. Ele precisa estar ali no horário. Se um chefe exige de seus funcionários chegarem às oito, mas não consegue estar na empresa antes das dez significa que ele não tá dando exemplo e, se ele mesmo não consegue cumprir as regras que ele estabelece pra empresa, tem algo de errado.

Da mesma maneira temos o exemplo do trabalho. Se um filho cresce vendo o pai falando mal do trabalho, chegando estressado do trabalho, brigando no trabalho, ele vai achar que aquilo é ruim e, depois não adianta falar que é bom porque a experiência que ele vai ter daquilo é que é algo ruim. E eu acho que é justamente isso que faz toda a diferença.

Eu tenho certeza de que minha mãe e meus tios não cresceram vendo nem meu avô, nem minha avó falar mal do trabalho. Muito pelo contrário, eles cresceram ouvindo o meu avô falar que nunca trabalhou somente oito horas por dia e, que o trabalho não faz mal a ninguém. Da mesma maneira, ele mostrou que a úncia chance de você conseguir construir alguma coisa é por conta do seu trabalho, do seu esforço, dos seus conhecimentos, da sua vontade.

Será que é a falta de exemplo que faz essa apatia que eu vejo hoje por todos os lados. As pessoas enchendo a boca pra falar que não querem enriquecer, como se isso fosse algo proibido, ou um crime. Dizendo que querem apenas ter uma “vidinha tranquila” poder passear, sair e dar uma boa educação para os filhos. Será que alguém pode querer só isso mesmo da sua vida? Será que alguém pode querer apenas que não aconteça nada de ruim? Será que tá todo mundo querendo apenas esperar a vida passar, a aposentadoria e a morte chegar?

Será que tá todo mundo jogando a vida fora, perdendo a chance de criar, de errar, de acertar, de ter experiências, de contar uma história, de recomeçar do zero, de criar riqueza pro universo, de sempre produzir, se querer mais, de se exigir mais, de se cobrar, e de poder deixar um legado, apenas por falta de exemplo?

Qual exemplo essas crianças estão tendo?

Ah! Já sei. Dos pais que trabalham nos Correios e fazem greve. Nos concursados que ganham pra trabalhar pouco e colcocar a culpa na burocracia. Nos pais que trabalham no banco, fazem greve e, de repente, estão em casa enquanto deveriam trabalhar. Mas, o mundo, as pessoas não se lembram dos bancários, dos correios. Elas se lembram das pessoas que quiseram realmente contribuir.

E nesse time, concurseiros, concursados, concursandos e, conformados não fazem parte. São mau exemplo. Mostram que o que importa é você ter e não construir, que o que importa é você ganhar, não conquistar. Realmente é um péssimo exemplo. Um péssimo exemplo pra um país com um grande potencial, que precisa de empreendedores, de netos, bis-netos, tetranetos e filhos de pessoas que nunca trabalharam apenas oito horas por dia.

É uma pena! Estão perdendo uma vida, perdendo a oportunidade de construir uma história de avanço e progresso para construírem e trabalharem na burocracia e na mediocridade. Eu prefiro trabalhar na outra ponta. Eu tive exemplo pra isso e, me envergonharia se não estivesse nessa lado: no lado dos que produzem, dos que puxam pra frente, dos que constroem e, mesmo errando, não desistem!

Eu sou mais um desses loucos. E vou fazendo minha parte. Terei orgulho em, daqui a cinquenta anos dizer pro meu neto que eu nunca trabalhei apenas oito horas por dia, e completar dizendo que aquilo que eu fiz no meu tempo assalariado garantiu o meu presente, mas aquilo que fiz no meu tempo não assalariado garantiu o meu futuro. E eu estarei lá, com ambição, força de vontade e muita determinação para vê-lo.

E quando meus olhos se fecharem pela última vez, quero que meu legado fale por si só!

Acorda!! Tá na hora de mudar o mundo…

Deve Haver um Jeito Melhor.

“Foco significa dizer não a centenas de boas ideias”. Steve Jobs.

Bem, não é novidade mas, o estimado e REVOLUCIONÁRIO Steve Jobs se foi…

E este post não irá discutir para onde e nem porque.

Eu sempre achei Jobs um cara fantástico. Para mim, o seu discurso em Stanford, que os telejornais exibiram essa semana como algo inedito e triunfante, pode ser comparado, pelo legado deixado à história, ao consciente empreendedor como um presente tão importante e belo quanto o discurso de Martin Luther King Jr. Esse discurso, por si só já mostra o quanto estamos falando sobre um indivíduo fora do comum.

Eu me lembro do dia primeiro de maio de 1994 como se fosse hoje. Ao acordar, meus pais, ainda casados, me disseram, com uma voz que não sei se de tristeza ou de preocupação que, “dessa” vez, o acidentado da Fórmula 1 tinha sido Ayrton Senna. Eu ainda não tinha dez anos quando o grande Senna morreu. Mas me lembro muito bem daquele dia porque eu assistia Fórmula 1 apenas por causa dele. Porque ele era brasileiro, vencia, tinha personalidade e, era admirado até pelos concorrentes (ou seria melhor adversários?).

Acontece que, no dia da morte de Ayrton, em especial, eu não tinha acordado para ver à corrida. Acordei já estava na metade e, recebi essa notícia de meus pais, sem saber da gravidade do acidente. Eles apenas me disseram que ele havia se acidentado.  E, durante o resto da corrida, pude ver o quanto o negócio era sério.

Ayrton Senna morreu. Naquele mesmo dia. Naquele mesmo primeiro de Maio. Dia do trabalho aqui no Brasil. E, como uma criança que era, e ainda sou, me permiti chorar, me permiti ficar triste e me permiti perguntar: e agora?

Eu ainda não tinha noção da grandeza de tudo que estava por trás de Ayrton Senna. Depois, fui podendo ver o quanto esse cara era líder, visionário, trabalhador, inovador e persistente. Depois, crescendo, fui aprendendo, como todo e qualquer jovem brasileiro, a admirar e gostar ainda mais desse cara que, tinha o capacete verde e amarelo.

No esporte, na minha vida, na Fórmula 1, esse cara vai ter sempre o lugar dele.

Depois de tanto tempo, me vejo, nesse dia cinco de Outubro, como aquela criança que recebe dos pais aquela notícia estranha, fatídica, final. Perdemos Steve. Quando conjugo o verbo perder na segunda pessoa do plural não falo de mim e de todos aqueles que o admiram. Falo no coletivo, NÓS, porque Steve Jobs é cidadão do mundo e, patrimônio da humanidade. Todos que entendem, admiram, enxergam, gostam, vêm, sabem que, perdemos uma pessoa diferente. Não basta pensar diferente. Precisamos SER diferentes.

E Steve foi. Ou será que é. Não sei se aquilo que você continua representando muda, mesmo depois que a morte aparece. Ele não está mais aqui, mas continua sendo muita coisa ainda. Inclusive EXEMPLO. E isso, pode-se passar centenas de anos, ele continuará sendo.

Eu fico me perguntando se pessoas extraordinárias nascem com algum dom extraordinário. Mas, essa resposta, sempre me aparece de uma maneira fácil, quando eu vejo que pessoas extraordinárias sempre se preocuparam com coisas extraordinárias. Por extraordinário, vamos entender que é aquilo que não é conforme ao costume geral.

E aí eu vejo que, para ser extraodinário, excelente e, completamente diferente, você precisa pensar e agir de uma maneira que não seja da maneira costumeira, que não seja guiada pelos costumes gerais.

E isso, pessoas como Steve Jobs realmente nunca foram. Os costumes nunca se aplicam a essas pessoas e, por isso, por elas não se submeterem ao costume, ao consenso, às opiniões formadas, seu legado transcende o comum, transcende o que muitas pessoas enxergam como normal. E aí nasce o magnífico, o que faz a diferença, o que muda o mundo e inspira gerações.

Com a morte de Steve Jobs, eu me senti no mesmo direito de quando Ayrton Senna morreu. No direito de me sentir criança, de me sentir privado de um exemplo, de um gênio, de uma pessoa fora do comum e que que não age conforme o “normal”. E que, por isso, são extraordinárias, são inspiradoras, são líderes, são inovadores. E criam…

E por isso Steve Jobs mereceu minhas lágrimas, minha tristeza e meu luto. Porque ele era um cara diferente. Porque era O CARA.

Eu admiro Steve Jobs como empreendedor. Nada mais interessa. Steve fez muito mais do que qualquer um no campo empreendedorismo, tecnologia, inovação, computadores, música, telefonia, filmes de animação, tablets, publicação digital e lojas de varejo. Bem, se isso não é ser um ser humano extraordinário, não sei o que é.

Vida pessoal, vida social, causas humanitárias? Diante de tantas realizações, acho que isso é apenas um detalhe. Acredito que, quando uma pessoa foca 100% em algo, ela se destaca 100% nisso. Quando ela se concentra 80%, 60%, 40% ou menos, ela se destaca o proporcional. No caso de Steve temos um cara 100% destaque naquilo que ele propôs se concentrar.

Pai e marido ausente? Talvez. Mas Steve sempre fez questão de agradecer a esposa compreensiva e companheira que tinha. Acredito que, nessa parte, ele conseguiu algo que muitos empreendedores não conseguem: uma cúmplice. Caso contrário ele teria se divorciado, teria ficado como dezenas de empreendedores: sozinho. Mas não foi esse o caso. Acredito que todos nós temos uma chance de encontrarmos a companhia certa para aquilo que somos. E Steve Jobs soube que Laurene seria a pessoa certa para estar presente enquanto ele estivesse ausente e, que seria madura, amável e amorosa o suficiente para entender toda a sua ausência.

No seu livro “Fora de Série”, Malcolm Gladwell estuda e analisa as condições temporais, sociais, tecnológicas, familiares, psicológicas e etc., que “transformam” pessoas normais em pessoas fora de série. No livro ele cita ainda o exemplo de Bill Gates e do nascimento e sucesso da Microsoft. Parece que esse fato é oculto e não sabido para muitas pessoas e empreendedores. Mas, por algum motivo, Jobs sabia que o contexto, que o cenário era muito importante na sua carreira para ter lhe transformado na pessoa que ele se tornou.

Você não consegue ligar os pontos olhando pra frente; você só consegue ligá-los olhando pra trás. Então você tem que confiar que os pontos se ligarão algum dia no futuro. Você tem que confiar em algo – seu instinto, destino, vida, carma, o que for. Esta abordagem nunca me desapontou, e fez toda diferença na minha vida.

Essa é a prova de que Steve Jobs sabia que o contexto influencia naquilo que somos. Ele sabia que, seus conhecimentos de eletrônica, em sua grande maioria, só eram possíveis por causa da profissão de seu pai adotivo. Ele conhecia esses fatores e foi capaz de usá-los para que, no futuro, pudesse “ligar os pontos”.

Infelizmente, perdemos um cara que, escolheu concentrar 100% de seus esforços em mudar o mundo e, conseguiu.  Viva Steve Jobs, aonde quer que ele esteja!

É claro que, por todos os lados vemos pessoas ressaltando o quanto Steve era um mau líder, uma pessoa egoísta e sei lá o que. Mas, eu acredito que ele era muito mais. Vejo pessoas chamando-o de egoísta e autoritário. Mas, acho que todos nós temos a obrigação de sermos egoístas.

Nossas realizações são feitas para nós mesmos. Se as outras pessoas gostam, que ótimo. Mas, em um primeiro momento, elas são feitas para nos agradar. E não agradar aos outros. E, talvez esse tenha sido um grande segredo de Steve. Ele criou pensando nele, ignorando a opinião dos “consumidores” e, com isso, fez coisas que nem os consumidores sabiam que precisavam.

Aí está a “magia” da inovação e da personalidade de Steve Jobs.

Aonde pessoas enxergam um cara durão, ignorante e egoísta, eu vejo uma pessoa autêntica e revolucionária. Para quem acredita que o egoísmo é uma doença, tenho apenas um argumento.

A verdade é que Steve Jobs deixa um legado infinito. De produtos, de lições de negócios, de inovação, de concorrência e de empreendedorismo. Sem ele, até que algum outro revolucionário à altura apareça, o mundo está um tanto quanto órfão, mais pobre e carente.

Thank you Steve!

Seth Godin e o Segredo.

Hug Macleod entrevistou Seth Godin sobre o seu novo livro, Linchpin. Entre as dez perguntas a lição do novo livro de Seth. Confira abaixo o que promete o novo livro de Seth Godin.

OK, vamos acabar com isso, o que é um “Linchpin”? Qual é a do o livro?

Você é uma pedra angular. Essas são todas aquelas pessoas malucas que não podemos viver sem, pessoas que chegam para causar e fazer a mudança acontecer. O ponto crucial é que uma pessoa “indispensável” quase sempre se tornam indispensáveis porque se recusam a seguir o manual. O fundamento do linchpin é uma peça leve bem pequena que prende a roda ao eixo. Algo muito difícil de viver sem.

Em seu livro, Purple Cow, sua mensagem era “Todo mundo é um marketeiro, agora”. Em todos os marketeiros são mentirosos, a mensagem foi: “Todo mundo é um contador de histórias, agora”. Em tribos, foi “Todo mundo é um líder, agora”. No Linchpin, a mensagem que me surpreendeu foi: “Todo mundo é um artista, agora”. Conte-nos sobre a sua tese.

Artista não significa pintor, desenhista ou dramaturgo. Artista significa alguém disposto a levantar-se, destacar-se e fazer a mudança. Em um ambiente estável, nós adoramos a fábrica eficiente. Alimentar a máquina, mantê-la funcionando sem problemas, pagar o menor salário possível. Em nosso mundo pós-industrial, no entanto, o culto industrial não cola. Em um ambiente em constante mudança, você quer pessoas que possam orientar, inovar, provocar, conduzir, conectar e fazer as coisas acontecerem. Essa é a minha tese. Esta é uma nova revolução Do mesmo jeito que  Marx e Smith escreveram sobre a revolução industrial, eu estou escrevendo sobre a nossa.

A palavra-chave que você usou durante todo o livro era “Emotional Labor”. Por favor, explique o que é isso, e porque o que interessa a qualquer um que pretenda tornar-se um linchpin.

É o trabalho emocional para ir ao Texas, embora possa ser mais fácil de só sair com os amigos. É o trabalho emocional para fazer o trabalho, mesmo quando você não se sente a vontade com ele. Principalmente, estou falando de fazer o trabalho difícil.

Obviamente, nem todos nós somos artistas, no sentido estrito da palavra. Eu sou um artista profissional mesmo,mesmo que eu não goste muito de usar esse termo. Tenho a sensação de que não foi você que tentou redefinir o termo, mas você está tentando desafiar as pessoas a pensar sobre o seu trabalho de forma diferente, para fazê-los pensar sobre o que exatamente tem de acontecer. Sim?

Bem, de que devemos chamar essas pessoas, essas alavancas? De que chamamos de um vendedor ou um regulador de seguros ou arquiteto de paisagem que muda o jogo, que eleva cada interação e que assume o risco emocional e profissional com seu trabalho? Acho que eles precisam de um nome, então eu roubei um. Eu os chamo de artistas.

Uma coisa que eu acho interessante sobre o livro é que você não oferece respostas fáceis. E ainda assim eu ainda vejo pessoas perguntando-lhe: “Por favor me diga o que que fazer para incorporar o seu tipo de pensamento, sem me obrigar a mudar a minha vida ou o meu modus operandi de uma forma qualquer. Por favor, mostre-me onde o botão de piloto automático e controle de cruzeiro estão …”. Você acha isso frustrante?

Frustrante não é realmente a palavra certa. Eu acho que fiquei triste no início, porque é quase como o Mágico de Oz … Dorothy tinha o poder todo, certo? Mas agora eu vejo isso como uma oportunidade. É tão tentador começar começar a desenhar fórmulas mágicas para as pessoas. Isso os faz feliz e isso me faz sentir inteligente. Mas resistir a essa tentação é a coisa certa a fazer, porque uma vez que alguém faz isso por conta própria, algumas vezes, não param mais. E, na verdade, todo grande professor que eu já conheci procura o mesmo resultado.

Se eu tivesse de descrever seu estilo de escrita típico (da qual sou um grande fã, é claro), eu lhe chamaria “secamente suavizado, bem humorado, malandro e lúcido”. Este livro me surpreendeu um pouco. Ele parece ter um tom mais irritado e mais emocional do que os seus livros anteriores. Era mesmo o seu estilo de escrita cada vez mais irritado?

Não é raiva, Hugh. É urgência.

Eu não acho que a maioria das pessoas percebem a nossa situação atual, como estamos próximos do penhasco, e como temos que aproveitar o pouco tempo que temos para agir em conjunto.

Eu conheci você por mais um pouco, nos conhecemos bem na época que o Purple Cow saiu em 2003. Naquela época, para mim você era um articulado, divertido e bem sucedido empresário, que tinha acabado de escrever esse best-seller de negócios cool. Então, mais livros saíram e eu comecei a ver mais sensibilidade. É óbvio que você gostava de escrever, gostava de ver as pessoas lendo e gostava de ajudar a fazer a mudança acontecer. Mas, neste último ano eu via sua personalidade mudar um pouco. Ou seja, parece que você tem estado mais interessado em ensinar as pessoas, especialmente os mais jovens. Pessoas como você já não se importam muito sobre o seu próprio sucesso e estão mais interessadas em ensinar as pessoas a se tornare bem sucedidas e a provocar a mudança em  mesmos. Estou certo? Você está evoluindo?

Espero que todos nós estejamos evoluindo. O que mudou foi a minha consciência de como o sistema empurra as pessoas como eu para serem escritores de manual. Editores e outros realmente querem dar ao mercado o que ele quer, e o que o mercado quer são livros bonitos de auto ajuda e de respostas rápidas.

Então eu experimentei o feedback  de que fazer um manual pode até ser agradável, mas a vitória real é ajudar as pessoas a tirar as suas próprias conclusões. Para ver o mundo como ele é. Isso é muito mais difícil. As pessoas precisam de óculos, e não um manuais, mapas e guias de como fazer.

Eu vi isso no seu último livro, Tribes, e vejo novamente o núcleo original. Embora eu tenho certeza que há toneladas de pessoas que preferem que seus livros sejam manuais. Você não está dizendo às pessoas o que “fazer”. Você está dizendo às pessoas para “decidir”. Uma diferença sutil, mas é um passo importante. Por favor, diga-nos mais.

Oh, eu não acho que é sutil em tudo. Eu acho que é uma enorme diferença. Nós odiamos pensar e decidir. Evitamos decidir. Nós nos escondemos da decisão. A decisão é a parte mais difícil, mas passamos pouco tempo precioso nela.

De todos os livros que você escreveu (e eu amo todos eles), este parece ser o seu maior desafio. Suas mensagens anteriores “Todo mundo é um marketeiro; Todo mundo é um contador de história; Todo mundo é um líder”, parecem estar muito mais fácil de digerir em relação a simples mensagem em segredo: “O amor que você faz, ou não”. Por que você acha dessa idéia ainda é tão difícil para tantas pessoas? Você espera que este livro seja tão bem recebido como o anteriores? Será que importa?

Se você tivesse me perguntado há quatro semanas, eu teria sido um pessimista feliz. Feliz porque eu escrevi exatamente o livro que eu queria escrever, independentemente das consequências. Eu estava literalmente pronto para todo mundo odiá-lo. E um pessimista, porque eu estou empurrando o livro como um presente para as pessoas.

Mas você não me pediu há quatro semanas, você me perguntou hoje. E há uma semana atrás, mais de dois mil leitores fizeram uma doação para conseguir uma cópia do livro e WOW! Eles entenderam. É trabalho. É de ressonância.

Dez Mentiras que os Chefes Contam Para Sim Mesmo.

Quando os chefes ficam enclausurados em seus salões de vidro, as suposições começam a tomar conta das certezas. Os gerentes, os diretores, perdem tanto tempo em reuniões inúteis, com detalhes do cargo, com a hierarquia e com a politicagem na empresa, que esquecem de ir pra rua pra saber da concorrência, pra conhecer melhor os clientes, pra saber sobre a reputação da empresa.

Sam Walton, em seu livro Made in America mostra a importância de conhecer a concorrência, de estar em contato direto com os clientes. O próprio Sam, pegava seu avião e ia pra cima dos grande varejistas quando o Wall Mart era apenas uma lojinha no interior dos EUA. Deve ser por esse motivo que o Wall Mart hoje é um grande varejista e, dexiou pra trás todos os grandes da época em que era pequeno. Nenhum, ou quase nenhum, varejista da época do Wall Mart existe hoje.

Isso porque, com a ajuda de seu avião e um pequeno gravador, Sam saia pelos EUA visitando e estudando concorrentes. E depois que cresceu, exigiu isso de todos os diretores da empresa. E assim, visitando, conhecendo, sabendo o que os clientes pensavam da concorrência, e muita observação conseguiu construir a empresa que conhecemos hoje. Só assim, deixando as salas com ar condicionado pra trás e valorizando as duas coisas mais importantes para o sucesso de uma empresa: CLIENTES e CONCORRÊNCIA.

Por este motivo, empresas vão perdendo vendas, vão entrando em crise e, quebram. A GM, com seus diretores em ternos pretos é um grande exemplo. Quanto mais alto na cadeia da evolução em uma empresa, mais as pessoas acham que sabem mais das coisas. MAS, isso não é a verdade. Chefes mentem para si mesmo quando acham que sabem tudo e são os donos da verdade.

Enquanto os chefes ficarem nas suas cadeiras de presidente, dentro de salas com ar condicionado e gravatas listradas horríveis, eles vão continuar mentido pra eles mesmos; enquanto o resto da empresa vai tentar, sem sucesso, convencê-los do contrário.

Assim, antes que o poder suba à sua cabeça, confira as dez mentiras que os chefes contam para si mesmo:

1. Eu sei o que os clientes querem. CEOs, muitas vezes pensam que sabem o que os clientes querem. Na verdade eles não sabem. Eles só sabem o que querem, e geralmente, eles não são o público alvo da empresa;

2. Nós temos o melhor produto. Tecnologia, marketing, atendimento ao cliente, o que quer. Normalmente, os chefes acham que tem o melhor produto, sem ao menos ter ouvido a opinião do cliente. Tirou as conclusões por conta própria;

3. Tudo vai dar certo. Quando a preguiça toma conta do trabalho e as respostas para as perguntas de funcionários e clientes acabam;

4. Nossos clientes nos amam. Geralmente, uma forma de impedir os funcionários de fazerem perguntas que não querem responder para que eles não tenham de aprender a verdade que eles não sabem;

5. Meus funcionários me amam. Mesma coisa que com os clientes;

6. Longe da vista, longe do coração. Ledo engano se acreditam que a melhor maneira de resolver um problema é ignorando-o, queimando-o, esquecendo-o, ou qualquer outra atitude infantil que não vai resolver o problema;

7. É para seu próprio bem. Normalmente quando são contrariados, quando não querem dar o braço a torcer, ou durante uma dispensa;

8. Os fins justificam os meios. Conforte-se quando eles fizeram algo terrível para os outros.

9. Eu sei o que os executivos querem. Essa é uma maneira besta de manter a hierarquia, achando, mais uma vez que sabem mais do que os outros;

10. É a minha companhia. Aqui é o ego falando mais alto do que a capacidade de liderar e de fazer acontecer. Geralmente eles falam isso quando não querem escutar a voz dos funcionários e a voz dos clientes.

Nós Somos Responsáveis Por Cuidar da Casa.

Nós vivemos em uma sociedade onde lembramos de nossas origens? Nós cuidamos de quem cuidou da gente? NÃO. Se realmente fizéssemos o dever de casa, o filho que viu o pai se tornar alcoólatra, não iria transformar-se em um quando a maturidade chegasse. Caso realmente estivéssemos preocupados com origens, mães não perderiam todos os filhos no tráfico. O filho mais novo é influenciado pelo mais velho, e assim vai. Se realmente nos preocupassemos com nossa obrigação junto de nossos familiares, seriamos um povo mais humilde, mais consciente e mais SOLIDÁRIO.

Mas, como não é isso que vejo por ruas e esquinas, infelizmente não cuidamos do que é nosso. O filho que cresce, vendo o pai policial corrupto, cresce e transforma-se em bandido. O filho que vê, diariamente a mãe gastando o pouco dinheiro que tem com cola, com crack, com ópio, com sei lá mais o que, antes de saber escrever o seu nome todo, estará indo pro mesmo caminho.

Da mesma maneira, filhos que crescem com a imagem dos pais lendo, dos pais ativamente na comunidade, de pais honestos, de pais idealistas, assim crescem e ajudam a semear a sociedade. Do mesmo modo, filho que vê o pai criar, realizar e trabalhar duro, seguirá o seu exemplo para ser também um grande realizador.

Os modos, os costumes e a postura é uma herança mais do que genética. É transmitida no dia-a-dia, nas pequenas coisas. No carinho, na felicidade, nas boas horas e nas ruins. E cabe a nós, somente a nós, cuidar dos nossos. Cuidar de quem seremos sempre responsáveis por cativar: nossos pais, que desde cedo nos levantaram de qualquer tombo, nos mostrando o melhor caminho e nos dando opotunidade de sermos melhores e maiores; e nossos filhos, que deverão ser sempre versões melhoradas e aprimoradas de tudo aquilo que fomos. É preciso saber cuidar da casa, da família. Somente assim saberemos cuidar da equipe, da empresa, dos amigos e do dinheiro.

Se você não sabe administrar o pouco, nunca conseguirá administrar muito.

O que Aprendi.

Uma reportagem da Revista Época relata os maiores conselhos que algumas personalidades já receberam. Eles também contam de quem receberam o conselho e em que situações ele foi útil. Os presidenciáveis José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva revelam o norte de sua vida e de sua paixão pela política; a atriz Juliana Paes traz na memória um dito do pai; o escritor Paulo Coelho fala sobre a magia ensinada por seu mestre no início da carreira; a modelo Gisele Bündchen conta a lição de vida que recebeu de um médico.

Já diz o ditado, conselho, se fosse bom, seria vendido. Um falecido amigo meu, tem uma versão ainda pior deste ditado. MAS, como toda regra tem sua exceção, segue abaixo os MELHORES conselhos.

1. Pare e respire. “Um profissional naturopata (que trabalha com medicina natural) me disse: ‘Pare e respire’. Ele me mostrou a importância que essa atitude tinha. Isso foi há cinco anos. Desde então, aprendi quão valioso é parar e estar consciente sobre minha respiração. Quando estamos muito ansiosos, não conseguimos nos centrar. Ao nos concentrarmos na respiração, vivemos muito mais o momento e temos mais consciência de nossas atitudes e de nosso corpo. Com certeza, a respiração correta ajuda a nos manter em equilíbrio. Hoje em dia, uso essa prática e sinto a diferença. Controlo mais a ansiedade, minhas emoções e aproveito muito mais cada momento da minha vida”. Gisele Bündchen, top model.

2. Cumpra metas traçadas com disciplina e constância. “Minha mãe, Jutta Batista, me fez entender que ter disciplina faz uma enorme diferença na vida. Eu tinha por volta de 13 anos quando ela conversou comigo sobre o assunto. Acordar cedo, cumprir as tarefas, os horários, ser sempre pontual nos compromissos. No fundo, tudo é disciplina, e ela me ajudou em todos os aspectos. Eu sofria de asma quando criança. Minha mãe sabia que uma das maneiras de me curar era nadando. Então, ela me incentivou na natação, me fez ter disciplina e dedicação. Segui o conselho e me curei da asma. O que ela me ensinou também foi absolutamente vital para meu trabalho, como empreendedor e criador de novos negócios. Cumprir as metas traçadas, com disciplina e constância, e executar os projetos até o fim. Cumprir todas as regras, sem pular etapas. Graças a esse conselho, também continuo a fazer exercício pelo menos duas vezes por semana. Tenho 52 anos e uma saúde de ferro”. Eike Batista, empresário.

3. Nada acontece sem esforço. “O melhor conselho que recebi veio do meu pai. Eu sempre uso a frase que ele me dizia: ‘Peça a Nossa Senhora e não saia correndo atrás, para ver o que acontece’. Não acontece nada se a gente não se esforçar, se não trabalhar, não tiver um planejamento. Ou seja, só ficar na expectativa e não mergulhar, não encarar, não enfrentar os problemas. Minha primeira atitude é sempre correr atrás, não fugir do problema, ir atrás dele para resolvê-lo. Eu sempre procuro entender as questões com profundidade e ver quais são as soluções. Procuro adotar uma estratégia para resolver, ver todas as formas e os ângulos de determinado problema para depois pedir a Nossa Senhora e sair correndo atrás. Outra frase que meu pai dizia é: ‘Nunca chame o lobo para se defender do cão’. Se você não é suficientemente apto para lidar com um problema, não se meta nele. Não pense que, ao chamar alguém mais esperto do que você, ele vai te ajudar. Pode até atrapalhar”. Roger Agnelli, empresário.

4. Nunca se explique. “Era 1964. Eu tinha 30 anos e estava fazendo pós-graduação nos Estados Unidos. No Brasil, o golpe militar trouxe um clima em que qualquer coisa era subversão. Não era preciso fazer nada para ir preso. Muitos amigos meus foram assassinados. Eu escrevia artigos falando de liberdade, nada explícito contra o regime, mas é claro que eu era contra ele. E assim ganhei inimigos. Eu tinha sido pastor. Pessoas que não gostavam de mim dentro da igreja começaram a me fazer acusações. Nada era claro. Nunca sabemos direito como são as coisas. Chegavam mensagens do tipo ‘consta que existe um documento contra você’ e tal. Eram ameaças. E, naquela época, até provar que focinho de porco não era tomada elétrica… Eu quis me defender. Publiquei artigos em revistas americanas para me explicar. Não houve repercussão. Foi então que meu professor de filosofia na universidade, muito sábio, me deu o melhor conselho que já me deram na vida. Ele me disse: ‘Rubem, nunca se explique. Para seus amigos, não é preciso se explicar. Para seus inimigos, é inútil se explicar’. Eu tentei seguir o conselho. Sempre tento, mas muitas vezes eu desobedeço. Ninguém segue conselho, né?”. Rubem Alves, escritor e educador.

5. O estudo traz uma releitura da vida. “Dos 5 aos 14 anos, morei com minha avó Julia, em Mecejana, no Ceará. Eu morava numa casinha de palha, a 10 quilômetros da casa do meu pai. Ficava numa capoeira. Minha avó era uma pessoa muito inteligente, capaz de decorar um livro inteiro de cordel apenas de ouvir a história umas duas vezes. Como ela não sabia ler, meu pai lia para ela, e ela me contava as histórias. Ou as cantava em forma de cantoria, como os repentistas. Foi com ela que aprendi os rudimentos do cristianismo. Ela tinha um catecismo feito de papel-cuchê, com umas ilustrações belíssimas da Capela Sistina, que mostrava desde a Criação até o Apocalipse, o fim do mundo. O livro não tinha escrita, só ilustração. Era feito para analfabetos. Minha avó dizia que no Ceará havia padres, freiras e tudo isso. No meu imaginário de criança, ao ouvir tudo isso, eu comecei a dizer que, quando eu crescesse, seria freira. Todas as vezes que eu dizia isso, ela me aconselhava a estudar. Dizia que freira não podia ser analfabeta. E cresci com esse conselho. Quando fiquei doente, resolvi cuidar da minha saúde e ser freira. Fui para um convento, onde fiquei dois anos e oito meses. Foi assim que comecei a estudar. Para ser freira, eu tinha de aprender a ler. Eu tinha 16 anos e meio quando fui para Rio Branco para ser freira. E continuo tentando me curar do analfabetismo até hoje. Analfabeto é também quem não consegue fazer uma leitura em relação aos tempos que está vivendo, quem não consegue ler os valores que se quer reforçar ou outros que a gente precisa mudar. Enfim, a alfabetização é um processo contínuo; é dar outra significação à vida”. Marina Silva, senadora.

6. Pense em como ajudar as crianças. “Eu era viúva havia cinco anos e estava tomando lanche com meus cinco filhos à noite, quando o telefone tocou. Era maio de 1982. No telefone, estava o meu irmão dom Paulo Evaristo Arns, na época o cardeal de São Paulo. Ele me contou que vinha de uma reunião da ONU. Eles pediram a dom Paulo que pensasse sobre como a Igreja poderia ajudar a expandir o uso do soro oral para as mães, com o intuito de evitar a desidratação, causada pela diarreia. E ele me aconselhou a pensar em como fazer isso. Foi, para mim, um momento de muita emoção. Na ocasião, eu era diretora da Saúde Materna Infantil do Estado do Paraná e o partido político no governo havia mudado. Apesar de eu não pertencer a nenhum partido político, eles me tiraram da direção da Secretaria da Saúde. Eu me sentia subutilizada quando dom Paulo me telefonou, parecia que Deus estava me abrindo uma grande porta: ensinar as mães a cuidar melhor de seus filhos. Depois que meus filhos foram dormir naquela noite, eu planejei a Pastoral da Criança inteira. Eu queria salvar vidas”. Zilda Arns, sanitarista.

7. Cuide mais das qualidades. “Certa vez, eu estava conversando com o Robert Gallo, que descobriu o vírus da aids, e ele disse: ‘Você é um rapaz criativo. E nós, pessoas criativas, temos de tomar mais cuidado com nossas qualidades que com nossos defeitos’. Porque os defeitos você sabe quais são e pode se defender deles, mas, das qualidades, não. Os criativos criam tantas coisas que depois não conseguem levar adiante o que criam, e isso pode ser uma arma contra a própria pessoa. O Gallo me disse isso na casa dele, num almoço, em 1995. Ele me conhece, sabe sobre meu trabalho aqui no Brasil, e a gente vivia trocando ideias. Ele falou por experiência própria, porque, esse tipo de conselho, nunca ouvi em lugar nenhum. Ele é muito entusiasmado com suas ideias e toma esse conselho para si mesmo. Eu também tenho essa tendência de pensar coisas diferentes, de ser empreendedor, de pensar assim: ‘Vamos fazer’. Ao mesmo tempo, reflito: ‘Será que tenho condição de levar até o fim?’. Se você é preguiçoso, toma precauções contra a preguiça. É mais fácil. Agora, se você é generoso, essa generosidade pode te destruir também. Hoje, sou muito cuidadoso e, quando surge algo novo, penso no tempo que aquilo me tomará e de onde eu vou tirar tempo para aquilo. Porque pode chegar uma hora em que não haja tempo para mais nada. Então é preciso decidir, pensar bem”. Drauzio Varella, médico.

8. Na vida, às vezes, o ótimo é inimigo do bom. “Quando eu era presidente da UNE, em 1963, conheci o Juscelino e visitei-o algumas vezes. Ele pretendia se candidatar a presidente em 1965 e, numa das conversas, puxou o assunto. Eu disse, e estava certo, que a UNE e o movimento estudantil não tinham maior importância eleitoral (apesar de que, na época, eram muitíssimo mais fortes do que hoje), nem se engajavam em eleições, mas que, se isso fosse acontecer, nosso candidato seria o Miguel Arraes, então governador de Pernambuco. Ele comentou, muito amavelmente, sorrindo: ‘Na vida, às vezes, o ótimo é inimigo do bom. O Arraes é ótimo, eu sou bom. Cuidado que podemos ficar sem os dois. Ficar com o ruim’. Aludia a Lacerda, a quem combatíamos diariamente. Se fosse mais pessimista, poderia ter aludido ao golpe e à ditadura que o cassou (e me condenou e exilou). Não foi bem um conselho, foi uma reflexão, que assimilei na hora, até porque correspondia à minha forma de analisar e fazer política”. José Serra, governador.

9. A magia está nas coisas simples da vida. “J., meu mestre e amigo, no início do ano de 1986 me disse para fazer o caminho de Santiago de Compostela. Até aquele momento, eu achava que o mundo do oculto era cheio de mistérios, merecia uma vida inteira de dedicação e um considerável afastamento da realidade. Quando comecei a peregrinação, acreditava que estava prestes a realizar um dos maiores sonhos da minha juventude. Meu guia, Petrus (nome fictício), era para mim o bruxo D. Juan, e eu revivia a saga de Castañeda em busca do extraordinário. Petrus, entretanto, resistiu bravamente a todas as minhas tentativas de transformá-lo em herói. Isso tornou muito difícil nosso relacionamento, até que entendi que o extraordinário reside no caminho das pessoas comuns. O mágico reside nas coisas simples da vida – é apenas uma questão de estar aqui e agora, conectado com tudo o que nos rodeia. Hoje em dia, essa compreensão é o que possuo de mais precioso, me permite fazer qualquer coisa, e vai me acompanhar para sempre”. Paulo Coelho, escritor.

10. Seja política. Quando minha mãe, Cláudia, entrou no meu quarto numa manhã sugerindo que eu me candidatasse a vereadora, dei risada. Nove anos depois de sofrer o acidente de carro que me deixou tetraplégica, dedicava quase todo o meu tempo à ONG Próximo Passo, que criei para promover pesquisas para a cura de paralisias. E eu odiava política. Era daquele tipo de leitor que pulava a seção de política do jornal. Minha mãe passou quase um ano repetindo aquele que, descobri tempos depois, foi o conselho mais importante da minha vida. Acabei me filiando ao PSDB apenas para agradá-la e ver se ela se esquecia do assunto. Ao contrário, ela passou a insistir mais. Comecei a campanha só 40 dias antes da eleição. Todo o material que eu tinha eram uns santinhos impressos por ela. Eu mesma distribuía nas calçadas de São Paulo, com alguém me empurrando na cadeira de rodas. Acabei tendo votos o bastante para ser a terceira suplente do partido. Dois anos depois, ocupei uma cadeira na Câmara. E percebi que poderia ampliar o meu trabalho com a política. Hoje, já sou autora de três leis para melhorar o acesso aos 3 milhões de deficientes que vivem em São Paulo. Em 2008, me candidatei a vereadora outra vez. Fui a mulher que conquistou o maior número de votos, 79.912, em disputa para a Câmara dos Vereadores do Brasil. Tudo por causa da insistência da minha mãe”. Mara Cristina Gabrilli, psicóloga, publicitária e vereadora.

11. Sucesso ou fracasso não são para sempre. “Em 1998, eu fazia um espetáculo chamado Um tal de Dom Quixote, com a Companhia Bando de Teatro Olodum. Meu papel era o de Sancho Pança. Quando a crítica do espetáculo saiu na imprensa, me fazia enormes elogios. Disse que eu havia roubado a cena. O título era: ‘Um tal de Sancho Pança’. Fiquei exultante e fui mostrar a crítica à minha diretora, Cica Carelli. Ela me disse: ‘Mas por que você está comemorando tanto? Saiba que não existem nem sucesso nem fracasso permanentes’. Na hora, fiquei chateado por ela ter cortado a minha onda. De lá para cá, vi que é exatamente assim. Devemos ser comedidos nas alegrias e nas tristezas da profissão. O conselho que ela me deu, na verdade, formou parte de minha personalidade, pauta quem sou hoje. Depois de fazer televisão e de ficar mais popular, com novelas de grande sucesso, sempre penso nisso e comento sobre o que faço com o máximo de normalidade. Eu me tornei realmente consciente da possibilidade desses altos e baixos. Isso me ajuda muito a ter equilíbrio no trabalho e na vida”. Lázaro Ramos, ator.

12. Somos todos seres iguais. “Certa vez, eu estava melindrada por ter de conversar com o reitor da universidade onde estudava. Eu tinha 19 anos, e meu pai me disse: ‘Nunca tenha medo ou timidez ao falar com quem quer que seja. Lembre-se sempre de que somos todos homens mortais, iguais, acima de qualquer cargo, profissão e status. Mesmo se estiver diante da maior autoridade que você reconheça, encare-a de igual para igual. Nem de cabeça baixa, pois não deve ter vergonha, nem de nariz em pé, pois tem de manter a humildade. Encare-a de frente, como iguais que são’. Essas palavras me acompanham sempre, são como um eco do meu pai em mim. Sempre fui muito respeitosa, quase tímida quando mais menina, e sempre tive medo de dizer não, de desagradar. Uma terapeuta me disse uma vez que eu sou uma pessoa que gosta de agradar. É verdade. Mas o conselho do meu pai me ajuda até hoje a não ter medo de me colocar, de questionar. Ele me fez ser mais forte e confiante”. Juliana Paes, atriz.

13. Só você pode se derrotar. “Na época da ditadura, eu estava presa no Dops, em São Paulo. Como as celas estavam lotadas de presos políticos e havia menos mulheres do que homens, botavam a gente nas solitárias. Então, fui parar em uma solitária. Estávamos eu e uma jovem de 21 anos chamada Leslie Denise, a Lelé. Um dia bateram na nossa porta com uma caneca. Pela janelinha, vimos um velhinho de olhos azuis. Com bandagens nos pulsos, ele disse assim: ‘Oi, meu nome é Jacob Gorender. Como é que vocês se chamam?’. Entre os presos havia dois estrangeiros do Al Fatah (facção palestina). Um deles nos contou que o velhinho era o doutor Jacob Gorender. Fizeram barbaridades com ele e passamos a cuidar dele. Lavávamos sua roupa, amassávamos abacate, botávamos açúcar, limãozinho. Ficamos amicíssimas dele. A gente o achava velho, mas ele tinha 47 anos. Um dia, ele me deu um conselho: ‘Só tem uma coisa que você não pode fazer’, disse para mim e para Lelé. ‘Vocês não podem achar antecipadamente que eles (do Dops) sabem tudo, porque, se você achar que eles sabem tudo, que entendem tudo e são tão poderosos, vocês já se derrotaram’. Então, na vida, você não pode achar nunca que as pessoas sabem tudo ou são tudo. Se você não for capaz de entender o que a outra pessoa quer de ti, como é que ela te atinge, se você não for capaz de fazer isso, você já perdeu. E a frase dele era a seguinte: ‘Cuidado. Só você pode se derrotar’.” Dilma Rousseff, ministra.

14. A vida é o trabalho do artista. “Minha carreira como artista plástico estava prestes a acabar em 1994. Logo após a dura recessão dos anos 90, a decisão de me reinventar como fotógrafo parecia não me levar a lugar nenhum. Embora trabalhasse intensamente, estava sem galeria em Nova York, e o que ganhava mal dava para sobreviver. Além disso, torturava-me imaginar como sustentar e educar meu filho, na época com 4 anos. Eu era também professor de fotografia e desenho na New School for Social Research, em Nova York. Lembro-me claramente do dia em que comentei com a amiga e curadora americana Tricia Collins que eu estava pensando em dar mais aulas e encarar uma carreira como educador e abandonar esse sonho de viver de arte. Tricia me disse que a pior coisa a fazer é deixar de ser o que somos para ser algo para nossos filhos. Que o meu filho seria mais orgulhoso de mim como artista do que como o infeliz que deixou de ser o que queria ser por sua causa. Ela também me ofereceu um projeto na pequena sala alternativa que dirigia no Soho. Eu disse a Tricia que trabalharia como um louco para seu projeto. Aí ela me deu um conselho: ‘A vida é o trabalho do artista. Saia de férias!’. Segui seu conselho à risca e embarquei para o Caribe, onde conheci as crianças da série de fotografias que me consagraram. As fotos também fizeram parte da minha primeira retrospectiva, em Nova York, estabelecendo definitivamente minha identidade pública como artista plástico e fotógrafo. Meu filho, hoje com 19 anos, é o meu maior fã e amigo”. Vik Muniz, artista plástico.

15. Celebre sua comunhão com o mundo. “Entrei em crise aos 20 anos. Eu havia sofrido muitas perdas e acreditava que precisava de psicanálise para resolver minhas questões. Para mim, era hora de olhar para dentro. Fui atrás de terapia e consegui uma entrevista com o famoso Hélio Pellegrino, psicanalista e intelectual brilhante. No dia marcado, fui feliz da vida a seu consultório, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Por uma hora, desfilei todos os problemas que tinha e outros que achava que tinha. A conversa foi ótima, e eu, ainda estudante, acabei contando para ele sobre minha paixão pela física e pela natureza. No fim, me surpreendi com o que ele me disse: ‘Marcelo, acho que você não precisa de análise. Para mim, a análise é a pró-cura. E você, através de sua procura, vai se autocurar. E você está já no seu caminho de busca. Continue nutrindo essa paixão, buscando e celebrando sua comunhão com o mundo, que estará sempre bem’. Eu nem cheguei a me deitar no divã. Passados 30 anos, eu posso dizer que encontrei meus caminhos e que ele tinha toda a razão”. Marcelo Gleiser, astrofísico, professor, escritor, roteirista.

16. Mostre sua glória com simplicidade e humildade. “Estava à beira-mar, numa praia de Varberg, na Suécia, aguardando o início de uma regata. Era final de manhã e ventava muito. Eu tinha 20 anos e acabara de participar da minha primeira Olimpíada (Los Angeles, em 1984). O dinamarquês Paul Elvström, o velejador mais importante de todos os tempos, tinha então 57 anos. Sua simplicidade – apesar das quatro medalhas de ouro olímpicas e dos 13 títulos mundiais – chamou minha atenção e eu resolvi lhe fazer um elogio. Paul respondeu que o mais importante na vida de um campeão não deve ser ostentar seus grandes resultados. E que as glórias de um vencedor podem ser mostradas com simplicidade e humildade. Hoje, Paul está com mais de 80 anos e ainda mantemos contato. Provavelmente, ele não sabe quanto esse conselho foi importante na minha vida. E procuro passá-lo adiante. Faço palestras por todo o Brasil e, quando alguém me trata como celebridade, tento mostrar que estamos no mesmo patamar e que a simplicidade é um valor fundamental na vida de qualquer ser humano. Isso não deve se aplicar apenas aos campeões no esporte. Mas também àquelas pessoas que se destacam, seja na política, na economia ou em qualquer outra área”. Lars Grael, velejador.

17. Planeje sua vida. “Eu tinha 16 anos e meus pais tinham se separado. Minha mãe assumiu praticamente sozinha minha criação e a de minhas irmãs. Como qualquer garoto da minha idade, comecei a namorar muito. Ela via aquilo e temia que eu engravidasse alguma das moças. Na minha família e na minha comunidade, era muito comum os jovens terem filhos cedo, perdendo muitas oportunidades na vida. Meu pai parecia não ligar para isso. Ele teve, ao todo, 12 filhos com mulheres diferentes. E sempre repetia que queria que eu desse muitos netos a ele. Minha mãe pensava diferente: ela queria que eu fosse além. Um dia cheguei tarde em casa e ela foi enfática. Me disse: previna-se sempre, planeje sua vida. E comentou sobre todos os nossos conhecidos que haviam estragado o futuro por causa de uma gravidez indesejada. Senti que a coisa era séria e percebi tudo o que ela havia superado para falar daquele assunto comigo, já que sexo e drogas eram tabus na minha casa. Por isso, sempre pensei nela e me cuidei. Pude seguir meu caminho sem barreiras. Tive liberdade para investir na minha carreira, arriscar, sem a preocupação de ter de sustentar uma criança, que é algo de uma enorme responsabilidade. Na hora certa, vou planejar ter um filho. Tenho três sobrinhos e adoro crianças. E vou ser o maior pai babão, com toda a tranquilidade”. MV Bil, compositor, rapper e escritor.

18. Deixe de lado a opinião dos outros. “Desde que decidi ser piloto, recebi orientações bastante úteis. Meu pai logo me alertou que eu precisaria abrir mão de muita coisa se quisesse realmente chegar aonde pretendia. Na minha adolescência e juventude, cansei de abrir mão de festas e baladas. Mas acredito que o melhor conselho partiu do piloto Michael Schumacher. Eu já o conhecia bem desde 2003, ano em que passei como piloto de testes da Ferrari. Em 2006, fui seu companheiro de equipe na sua despedida da Fórmula 1. Eu correria ao lado simplesmente do cara que virou uma lenda e quebrou praticamente todos os recordes da categoria. Foi quando ele disse para jamais me preocupar com o que as pessoas, e principalmente a imprensa, falassem a meu respeito: ‘Eles vão falar bem um dia e falarão mal depois, mas você não deve dar importância. O que vale mesmo é se concentrar em fazer o seu trabalho da melhor forma possível, deixando de lado a opinião dos outros’. Foi o que passei a fazer a partir de então. Essa postura me deixou mais forte mentalmente e me ajudou a superar os momentos difíceis na F-1”. Felipe Massa, piloto de Fórmula 1.

19. O tempo atenua a dor. “Eu tinha uns 11 anos quando uma amiga muito próxima perdeu a mãe. Foi triste demais. Ela estava muito triste, e eu não sabia o que escrever para atenuar sua dor. Chamei meu pai, e ele mandou que eu escrevesse que, para aquela dor, não havia remédio e que o tempo traria um conforto da saudade. Tomei isso para minha vida. Daquilo que não pode ser resolvido, imediatamente o tempo dará conta”. Ivete Sangalo, cantora.

20. Decisões, só de cabeça fria. “Um dos melhores conselhos que já recebi foi de um grande amigo, Paulo Borges. Ele me disse para nunca decidir nada no calor das emoções. Sempre diga: ‘Vou pensar e respondo amanhã’. Junto com esse conselho, que lembro sempre, ele me apresentou sua advogada, que passou a advogar para mim também, isso 12 anos atrás. Ela reforçou o conselho dado por Paulo e acrescentou: ‘Nunca assine nada sem eu ler’. Sigo os dois conselhos e sou muito feliz”. Alexandre Herchcovitch, estilista.

21. Invista no seu potencial. “Minha professora de violoncelo, Nydia Otero, me disse para estudar na Europa. Muitos foram contra minha saída do país aos 16 anos. Eu nem tinha terminado a escola. Ela foi firme em me convencer a ir para a Alemanha, estudar com o italiano Antonio Janigro. Na época, eu era músico profissional de orquestra. Ela achava que, se eu ficasse no Brasil, entraria numa rotina brasileira e não chegaria ao máximo do meu potencial. Segui seu conselho. Meu pai me apoiou porque via essa possibilidade como a melhor. Minha mãe foi contra. Era o receio típico de mãe, de ver o primogênito ir embora, sem saber falar alemão, inglês. Eu não tinha bolsa de estudos. Por dois anos, trabalhei na Orquestra Sinfônica Brasileira. Todo o dinheirinho que ganhava, poupava. Foi com isso que vivi durante os primeiros meses fora. Depois, tive de me virar. Meu pai mandava o que podia, mas era pouco. Toquei em enterros, casamentos, onde era necessário um violoncelista, eu tocava. A vida era cara, mas nem por um segundo eu me arrependi. O único momento em que fiquei receoso foi quando o avião começou a subir. Olhei para baixo e comecei a chorar. Estava indo embora e não voltaria tão cedo. Se tivesse ficado, minha vida teria sido outra”. Antonio Meneses, músico e compositor.

Um conselho, se bem refletido e levado em conta, pode ajudar e muito na evolução de uma carreira ou negócio. O mais importante, de todos esses conselhos é a oportunidade de aprender com a experiência alheia. Um coach, um amigo, um board of directors. Não importa de onde venha, tenha conselheiros, tenha oráculos que lhe dê opiniões, mostre o caminho a seguir e, principalmente, que já tenham aprendido e praticado a experiência de aprender com os erros e com as diversidades.

Esteja atento para o que as pessoas podem lhe ensinar. Uma pequena frase, pode evitar erros e frustrações na sua carreira. Aprender com o próximo é uma virtude empreendedora. Apenas assim, podemos utilizar a vivência das pessoas ao nosso redor para um aprendizado produtivo.

Quem está ao seu redor e que pode lhe dar um conselho significativo? Quando você irá adotar um coach? Quando irá dar ouvido aos mais experientes? Quando vai usar o exemplo dos outros para aprender e não errar?