O Vencedor do Reality Show.

Esse post é uma síntese/inspiração do livro Brasileiros Pocotó, de Luciano Pires, que estive lendo. O livro é uma pílula de conscientização da atitude brasileira. Brasileiro tem mania de ser autocrítico, mas apenas com os outros. E cai na mediocridade, mas só olha o rabo do vizinho. O livro é uma compilação de artigos, sobre pensamento, atitudes, política, esportes e COMPORTAMENTO do povo brasileiro. De todos. Por isso vou usar todo bom-humor, toda irreverência e toda revolta do Luciano, todo conhecimento e toda energia que ele passou pra mim com esse livro e fazer uma síntese sobre o vencedor do reality show, sobre a IMPORTÂNCIA em ser COSMÉTICO num lugar commodity.

As pessoas desistiram da faculdade. Trancaram matrícula no segundo período, ainda mais se a faculdade for privada, mais um motivo. Afinal, com esse dinheiro podemos comprar um carro, ou até uma casa. NÃO. Mas o que importa é ter dinheiro pro silicone. Pra turbinar os peitos, pra fazer uma lipoaspiração, uma redução de estômago, tirar uma costela e ficar parecendo uma boneca. Barbie? Não sei.. só sei que a moda é essa entre as meninas. Meninas com menos de quinze anos querem ter peitão, bunda grande ou cintura fina. BARRIGA?? Nem pensar, afinal, você é aquilo que aparenta. Não sabia que a inteligência tinha descido aos seios. E NÃO DESCEU!

Hoje é comum as meninas saírem das maternidades com as orelhas furadas. MAS, não vai demorar muito até os hospitais oferecerem as opções piercing e tatuagem. Afinal, já que elas vão fazer mesmo quando crescer, sente a dor quando são recém nascidas, já que é menos sofrível. Já tá virando regra mesmo. Aqui em São Paulo, em cada DEZ meninas que eu vejo, SEIS, no mínimo já estão assim, com NO MÍNIMO, um piercing e uma tatuagem. E as que têm, compensam as que não têm. Somos uma sociedade plástica. Meninas de dez anos grávidas, mulheres de quinze declarando que quando completarem dezoito vão fazer um filme pornô (eu conheço!), fotos vazando na rede, e as maria-chuteiras como inspiração. É, a coisa tá feia.

O mundo mudou depois da éguinha pocotó. INFELIZMENTE. Piorou bastante. Agora temos as mulheres frutas, a moda do topless, das meninas sem calcinha e vamo que vamo.. afinal, crescemos com bundas balançando nas nossas mentes e a lavagem cerebral funcionou. Hoje, ficou o legado, e as bundas estão balançando cada vez mais rápido ao som da velocidade cinco (ou seis) do créu. Haja disposição. E as meninas usam batom, sombra, delineador, creme de chocolate suíço e chapinha marroquina pra irem ao colégio. Afinal, vivemos em um enorme desfile de moda, se não nos maquiarmos, as meninas mais novas roubam os nossos namorados. Afinal, as professoras nos inspiram a ser como elas. Professoras?? É.. deixa pra lá! Tem gente que acha normal dar aulas de short. Deve ser por isso que os alunos chamam de gostosa, tiazinha e não de professora. Afinal, desde os tempos da rainha do bumbum que a bunda está aí. Que mal há em mostrar. Meninas de cinco anos pintam as unhas e bebem coca-cola. Fico me perguntando com quantos anos vão começar a fumar, por que agora essa porcaria voltou a ser moda. Será que estamos ficando altamente cosméticos e sem nenhum conteúdo. É o que parece.

Sabe pra que pintar as unhas aos cinco anos, se maquiar na quinta série pro namorada PENSAR que namora uma mulher (que realmente, muitas vezes já é mulher), colocar silicone aos quinze e tirar uma costela aos dezoito? Pra aos vinte, entrar no reality show. LEI DA OFERTA E DA PROCURA! Então as inscrições estiverem abertas, existiram pessoas assim. O que importa é ser bonito, saber fingir, ser político, ser amigo de todo mundo, manipular, por que no final, VALE A PENA. Antigamente as pessoas eram reconhecidas pela inteligência, talento, força-de-vontade, hoje são conhecidas pela MALANDRAGEM. E olha que transborda talento pelas ruas do país. Não tanto quanto silicone, mas é só procurar nos lugares certos que agente encontra. Gabriel – o pensador está certo – não tenho mais “nádegas a declarar”.

Há pouco tempo atrás, o ano começava no dia 1° de Janeiro, depois foi prolongado para o pós-carnaval. E hoje, o ano só começa de verdade, depois da final do BBB. É triste, mas é verdade, e é a relidade brasileira atual. Mas vamos mudar isso. Afinal eu, e mais um montão de gente estamos quase sendo atropelados por que andamos na contramão dessa brincadeira toda. Um dia venceremos o duelo cérebro versus silicone. Mas que estamos apanhando feio até agora, (ah!) como estamos…

siliconegeneration

Pocotó, Pocotó, Pocotó…

Eu conheci o Luciano Pires nO Epicentro. Fiquei muito impressionado com a humildade e com a pessoa de papo fácil que ele é. Em sua apresentação, que abriu o evento, Luciano dividiu INTELIGENTEMENTE as pessoas entre gênios e idiotas e deu um recado muito bem dado sobre a manipulação da informação. Infelizmente não tivemos muito tempo pra conversar, mas fica aqui um convite para um café em uma próxima oportunidade.

Eu comecei a ler o Brasileito Pocotó, livro do Luciano que fala sobre a mediocridade do povo brasileiro e forma das pessoas serem dominadas pela cultura inútil e a imbecilidade. Nos próximos dias eu vou escrever algumas coisas sobre isso.. por enquanto, segue o vídeo do Luciano falando do livro no Jô e os slides da apresentação dele no Epicentro.