O Legado de Michael Jackson.

Michael Jackson morreu. Ponto. Essa condição é irreversível. Se com ela aparecem trágicas revelações e suspeitas dramáticas, não seria diferente.

A vida que o artista levou foi cheia de controvérsias e a hora de sua morte não seria diferente. Se os filhos dele não são realmente dele? Se foi realmente uma injeção de morfina que o prejudicou? Se o médico é suspeito? Isso por enquanto é impossível de saber, até ficarem prontas, daqui a duas semanas aproximadamente, o resultado dos exames toxicológicos, que vão apurar a(s) causa(s) de sua morte.

Além de um patrimônio avaliado em US$ 1 bilhão e uma dívida equivalente a metade desse patrimônio, MJ deixou alguns outros legados e lições que eu acredito merecem ecoar nos anais da história e servir de lição para todas as pessoas.

1. A infância é o espelho do futuro. Tudo que Michael Jackson fez, ou deixou de fazer, foi reflexo de sua infância. Em primeiro lugar, com a fama precoce, junto de seus outros quatro irmãos.

A fama deslumbra as crianças, por que para elas tudo é apenas um divertimento, uma brincadeira, e não uma obrigação e uma coisa séria. Os pais deveriam respeitar essa vontade e ACEITAR quando elas decidissem para de brincar. Porém, Michael não teve essa sorte.

O pai obrigava os irmãos a encararem a carreira musical como uma profissão, mesmo muito cedo e, com toda rigidez e rigorosidade que NENHUM pai deve ter, humilhava e maltratava as crianças.

Jackson nasceu em Gray, no Estado americano de Indiana. Ao todo, seus pais tiveram sete filhos e desde muito pequeno ele mostrou habilidade musical, que foi ostensivamente treinada e explorada por seu pai, Joseph Jackson.

O pai foi guitarrista e era operário. Michael Jackson relatou que sofreu muitos abusos durante a infância, tendo que ensaiar exaustivamente, e, muitas vezes, a punição para erros era violenta.

O grupo Jackson Five fez sucesso em shows de casas do interior dos Estados Unidos, e com, a fama se espalhando, eles acabaram assinando um contrato com a gravadora Motown. Desde os 11 anos, Jackson integrou o grupo.

Para uma criança, ser chamado de burro, feio, ridículo, imbecil, imprestável e adoráveis adjetivos como esses, não é tão simples como (talvez) para um adulto. AINDA MAIS, se esses elogios vierem de seus próprios pais, que são as pessoas em que as crianças mais se espelham, mas acreditam e mais confiam.

Que criança acredita que o pai é mentiroso?

Que criança acredita que o pai estaria mentindo ao chamá-lo de narigudo, feio e MONSTRO? Os fantasmas da infância são os monstros do futuro.

Michael Jackson não queria ser branco, não queria ser cosmético. Ele queria apagar aqueles elogios que o seu pai o fizera no passado. Ele queria poder olhar no espelho e não concordar com ele.

Hoje, os pais (principalmente o pai) de Michael amargam uma grande responsabilidade no resultado final que o filho atingiu: a morte. O trauma psicológico imposto pelos pais se torna uma verdade absoluta na vida de uma criança. Por isso, em primeiro lugar, as crianças precisam de apoio, carinho, amor e EDUCAÇÃO. E não abuso, maus-tratos e punições.

Afinal, trabalho infantil é crime não apenas no Brasil, mas em todos os países civilizados do mundo. Crianças precisam brincar, se divertir, se sentirem amadas e apoiadas.

E não serem obrigadas a trabalhar para encher o bolso dos pais de dinheiro. São os pais que criaram a figura de um Michael Jackson infantil, bobo, fraco e viciado em remédios, que fugia de si mesmo e encarava um personagem que não era.

2. Não importa qual o seu ramo, sempre é possível inovar. Quem diria que depois de tantos músicos consagrados, artistas louváveis, existiria um artista que mudaria para sempre a história da música. Michael Jackson tem mais vendagens do Beatles e Elvis JUNTOS.

Trhiler, seu videoclipe mais conhecido, ganhou prêmios de CURTA-METRAGEM. Músicos de soul, black music, pop, hip-hop, rap e jazz seguem os passos de Michael Jackson. TODO bailarino que gosta de street precisa estudar os passos de Michael para poder montar uma coreografia.

Indiretamente, todo pessoal que surgiu depois dele, nessas áreas que eu disse, QUER QUEIRA, QUER NÃO, tem alguma influência dele. Michael Jackson, ao contrário do que todos imaginam, não tinha vergonha de ser NEGRO.

As suas mudanças de aparência foram resultado do tópico acima – a sua infância -, e existem inúmeras declarações dele (no próprio YouTube) defendendo os músicos negros, a música dos guetos e os artistas da periferia, do rap, do soul e da street dance.

Michael Jackson conseguiu fazer o que muitos não conseguiram: emplacar sucesso atrás de sucesso, ensinando um novo jeito de fazer shows aos artistas da época que vêm sendo seguido até hoje. Além de tudo isso, se não bastasse o legado musical, a herança cultural da dança e do estilo de se vestir nos palcos, Michael era obstinado.

Quatro horas antes de morrer ele estava ensaiando para sua nova turnê, que teria cinquênta shows em Londres e provavelmente mais trinta shows em outras cidades espalhadas pelo mundo. A turnê garantiria a Jackson um cachê aproximado de US$ 50 milhões. Invejável para qualquer artista de sucesso contemporâneo.

Os números de Michael Jackson ainda são absolutos. Ainda vai nascer algum outro artista espetacularmente extraordinário para quebrar os seus recordes de vendagem, de arrecadação e exemplos musicais. Por enquanto, e provavelmente sua morte eternizará esse título, ele é o REI DO POP.

3. Os remédios matam. Michael tinha dívidas que chegavam a US$ 200 mil em uma farmácia, com compras de medicamento. Tinha um médico particular para receitar medicamentos para dor e para todos os problemas de saúde que as inúmeras cirurgias que ele fez acarretaram.

Michael poupava esforços ao não andar, ao utilizar máscaras de oxigênio e ao evitar suas aparições em público. Suas cirurgias, suas plásticas acabaram debilitando todo o seu sistema imunológico e isso foi complicado ainda mais pelo vício em medicamentos como a morfina.

Há boatos que afirmam que ele não mais se alimentava e, vivia a base de remédios e compostos que substituiam as refeições, o que faria com  que todo o seu organismo estivesse fraco demais, e não aguentasse mais esforços. Enfim, aqueles medicamentos que eram pra ajudar acabaram apenas tornando-o cada vez menos saudável, e cada vez MAIS dependente.

Por último, ao decidir retornar, lançou mão de mais medicamentos para conseguir fazer o esforço dos ensaios para a sua nova turnê. Aqueles que eram para curá-lo, acabou por envenená-lo. Como diz o ditado, o que separa o remédio do veneno é a dosagem.

E neste caso, não há dúvidas de que os medicamentos foram mais uma ajuda para a lenta e gradual morte de Jackson, que tinha apenas cinquenta anos. Remédios são drogas.

Perigosos como qualquer cocaína, heroína, crack e cigarro, e como ambos deveria ser muito mais controlada pelos governos. Precisaram de mais quantos exemplos?

Uma biografia não-autorizada de Michael Jackson deve estar por vir. Um filme não tardará a ser filmado e, quem sabe assim, não consigamos todos nós entender um pouco mais dos conflitos que, diariamente aterrorizavam Jackson e o tornaram naquilo que ele foi: uma pessoa tão controversa, com tantos altos e baixos.

Com uma história tão triste, que tinha tudo para ser BRILHANTE. Michael Jackson merece um filme de sua biografia. Negar o talento, a genialidade e os conflitos psicológicos desse artista é impossível.

A foto abaixo foi tirada no dia de sua morte. Jackson ensaiava com seus bailarinos para uma turnê de volta aos velhos tempos.

Michael Jackson