As empresas que ouvem, de verdade, o que as pessoas têm a dizer alcançam o sucesso.

A declaração título desse post é de Chris Hughes, jovem de 25 anos e criador do Facebook. Além disso, ele foi também o principal arquiteto da estratégia para a internet na vitoriosa campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos. O My.BarackObama.com formou 35 mil grupos voluntários, deu origem a 200 mil eventos de apoio, arregimentou mais de 2 milhões de pessoas e conseguiu arrecadar US$ 30 milhões.

A revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios do mês passado entrevistou Hughes, que falou pela primeira vez a um veículo de comunicação brasileiro. A íntegra da entrevista segue abaixo.

Qual será a nova grande onda da internet?

Uma tendência chave que vejo ganhar espaço é o compartilhamento. As pessoas querem dividir fotos, conhecimentos, vídeos, preferências, listas de amigos, o que for. E querem fazer isso por blogs, sites e outras ferramentas da web, como o GeoCities e o Facebook. Acredito que assistiremos a um aumento substancial na troca de informações de todos os tipos.

De que forma a democratização da internet altera o comportamento do consumidor?

As ferramentas da internet permitem que cada um de nós crie, estreite, fortaleça e mantenha relacionamentos com pessoas de qualquer parte do planeta e crie formas de gerir suas conexões. Quantas oportunidades tudo isso vem criando! Porém, é preciso que existam controles e mecanismos que garantam a privacidade das pessoas, para que estas se sintam seguras em compartilhar suas informações. A confiança continua sendo essencial nas interações humanas. Inclusive nas interações via internet.

Na sua visão, quais foram as razões desse sucesso tão rápido e estrondoso do Facebook?

O Facebook foi criado como um lugar onde as pessoas pudessem ser elas mesmas. Esse sempre foi e continua sendo um dos principais valores da empresa, que esta preserva com muito cuidado. Nossos esforços sempre foram direcionados por um desejo genuíno de conectar as pessoas e de inovar continuamente.

Que dicas você pode dar a empreendedores que estejam em busca de recursos financeiros para viabilizar seus projetos?

Sou um idealista com relação a esse tema. Acredito que, se você tem uma grande ideia ou um produto realmente bom, que agregue valor, não terá dificuldade em obter recursos. Mas, para isso, seu foco não pode estar voltado para o dinheiro. Mantenha seu foco na criação e aprimoramento de seu produto e o resto acontecerá naturalmente.

Que conselhos você dá a quem esteja pensando em desenvolver projetos na área de tecnologia no Brasil?

O Brasil é um país muito rico em talentos. O importante é aprender a tirar vantagem daquilo que o país tem de único. Quais os recursos disponíveis? Que características culturais os brasileiros têm? Construir coisas novas a partir do que já existe, da cultura e do conhecimento acumulados, é importantíssimo, mas muitas vezes as pessoas se esquecem disso. Os brasileiros precisam, antes de mais nada, compreender qual é sua grande vantagem competitiva. E construir algo de valor a partir daí.

As empresas podem bolar uma estratégia para a internet como a que ajudou a eleger Obama?

A campanha de Obama foi bem-sucedida por causa do envolvimento das pessoas comuns. Cidadãos comuns decidiram apoiar um candidato que, acreditavam, poderia gerar transformações. A tecnologia teve um papel chave nisso, pois permitiu que esses indivíduos se auto-organizassem em comunidades e fizessem coisas concretas espontaneamente em favor do seu candidato. Acredito que é uma ação muito parecida com a forma como as empresas bem-sucedidas tocam seus negócios. Focando nas pessoas – seus clientes, consumidores, colaboradores, etc. – e fazendo com que cada um deles se envolva da maneira que estiver ao seu alcance. Ouvir as pessoas é fundamental. As empresas que ouvem – de verdade – o que as pessoas têm a dizer colocam-se em condições de alcançar o sucesso.